Siga-nos

Perfil

Legislativas 2015

Legislativas 2015

Morgan Stanley faz avisos antes das eleições

  • 333

“A campanha eleitoral parece apenas estar focada em formas de curto prazo de aliviar a austeridade”

Joao Carlos Santos

Falta um plano com medidas estruturais para Portugal, tanto no programa da coligação como no do PS. Esta é uma das críticas e avisos deixados pelo banco Morgan Stanley em vésperas de eleições legislativas. Numa análise extensa, deixa também elogios e recomenda a compra de ações portuguesas, que considera estarem baratas

Revitalização estrutural ou re-recaída?” A pergunta é feita em jeito de título pelo banco Morgan Stanley numa nota de análise sobre Portugal, em vésperas de eleições. No estudo, o banco norte-americano deixa alertas e sublinha: “Os partidos do 'mainstream' parecem mais concentrados em garantir menor austeridade do que em implementar reformas”. E avisa que “os riscos de um parlamento em suspenso e menor focus em mudanças estruturais podem lançar dúvidas sobre se pode concretizar-se o crescimento potencial”.

No texto, os analistas do banco destacam que enquanto o Partido Socialista (PS) está mais focado no rendimento disponível dos portugueses, a coligação centro-direita, atualmente no poder, planeia reduzir os impostos às empresas. “Contudo, enquanto ambos os programas se concentram em formas de assegurar algum alargar do cinto, falta-lhes um plano de medidas estruturais”.

E alerta também que o crescimento económico pode abrandar e a dívida do país permanecer elevada, à medida que começarem a desvanecer os efeitos da depreciação cambial, petróleo barato e condições financeiras mais suaves”.

É que a economia portuguesa tem crescido acima da média da zona euro beneficiando daquele efeito triplo: baixos preços do petróleo, moeda fraca e condições financeiras mais favoráveis. Mas o crescimento deverá começar a descalerar assim estes factores começarem a perder força.

“O que interessa aos mercados na sua visão de longo prazo para Portugal é aumentar o crescimento potencial. Contudo, a campanha eleitoral parece apenas estar focada em formas de curto prazo de aliviar a austeridade”.

Frisa que nenhum partido de protesto é protagonista nas eleições portuguesas.

Por outro lado, se nenhum partido conseguir uma maior absoluta, o que é provável, terá de obter apoio da oposição. “Com um aumento da volatilidade política, as reformas estruturais e orçamentais arriscam a ficar aquém do que é necessário para impulsionar o crescimento potencial”.

Frisa que a economia portuguesa cresce em torno dos 1,75% anualmente e prevê que abrande para 1,2% em édia por ano entre 2018 e 2020. Um crescimento mais forte do que nos anos 2000 e nos anos mais recentes mas “de uma perspetiva dos mercados, comparativamente baixo”.
Por outro lado, esta volatilidade política pode ser importante para o 'timing' de uma subida do rating de dívida do país para ‘grau de investimento’, e para os mercados também”.

Ações portuguesas estão baratas

As ações portuguesas estão baratas e os investidores devem apostar nas cotadas mais expostas ao mercado doméstico. Isto se quiserem lucrar com a melhoria económica do país.

Segundo o banco norte-americano, a recente fase de performance da Bolsa portuguesa pior do que as pares, está terminada. “As ações portuguesas têm as avaliações relativas médias mais baratas na Europa”, diz o Morgan Stanley. “Recomendamos aos investidores que ganhem exposição à economia que está a melhorar comprando ações com elevada exposição doméstica”.

Para as cotadas do setor da energia, será mais favorável se os partidos da coligação ficarem no poder porque “o PS não planeia cortar impostos”.

O principal índice da praça portuguesa teve hoje um dia negativo (-1,6% às 16H27), em linha com os pares europeus e continua positivo no ano de 2015 (+3,6%) apesar da forte queda nos últimos meses. O PSI-20 caiu 22% desde o máximo de 2015, no início de abril.

Já em relação à dívida soberana portuguesa, aconselham cautela. “No curto prazo, um resultado eleitoral inconclusivo deverá colocar as obrigações soberanas portuguesas sob pressão e aumentar a volatilidade, além de que provavelmente já está incorporado no preço uma subida do rating da dívida soberana para grau de investimento”.