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Legislativas 2015

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Marinho e Pinto ataca a esquerda

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“A desilusão destas eleições é toda a esquerda”. A frase foi dita pelo presidente do PDR no final de uma arruada pela feira semanal de Espinho, onde esteve imparável

Marinho e Pinto atirou-se feira adentro a distribuir abraços, apertos de mão e beijinhos, com um à vontade surpreendente e resposta sempre pronta na ponta da língua. “É mais bonito ao vivo do que na televisão”, ouviu de uma admiradora a quem prontamente disse, entre dois beijinhos, “só por causa disso ja valeu cá vir”.

Visivelmente satisfeito com a atenção dos feirantes que procuravam nem que fosse só tocar no “advogado que aparece na televisão”, o presidente do PDR nem por isso amoleceu o discurso ou perdeu a veia acutilante e até humorística.

Quando uma senhora de Aveiro o quis cumprimentar não perdeu a oportunidade para afirmar que “é preciso mudar Aveiro”, porque a cidade ficou com “má imagem daquele sacripantas que veio de Lisboa candidatar-se por Aveiro”. E quando revelou quem era, quase parecia que se tinha enganado: “Aquele Paulo cancelas, Paulo portões... Paulo Portas”.

No final da arruada que percorreu um quarto de feira, confrontado pelos jornalistas sobre o facto da líder do BE ter dito que a grande desilusão destas eleições é o PS, começou por dizer que “desilusão é a esquerda portuguesa” e em seguida desferiu duras críticas a António Costa e aos comunistas.

“Afastaram e humilharam publicamente um líder do partido socialista (António José Seguro), destituindo-o a meio do mandato, não por ele ter ganho por pouco porque parece que as sondagens ainda dão pior para o sr. António Costa, mas correram com ele de uma forma ignóbil porque aquele homem, com todos os defeitos que tem e muitos são, tinha um projeto político sério de combater a promiscuidade entre política e negócios”.

Em tom crescente como lhe é característico voltou a insistir que “a alternativa não é ente PSD e PS”, que “é preciso afastar ambos” e que “o voto útil é no PDR”.

Antes de rumar a Aveiro, o eurodeputado desferiu um valente golpe no partido encabeçado por Jerónimo de Sousa. “A CDU e o PCP constituíram e levaram a cabo uma das maiores fraudes políticas em Portugal no pós 25 de abril”, disse a abrir referindo-se aos Verdes. “Um partido que não tem militantes, não tem sedes, não tem eleitores, mas tem um grupo parlamentar por obra e graça do PCP, e que recebe subvenções como se fosse um grupo parlamentar. Na verdade é o PCP que tem dois grupos parlamentares na Assembleia da República. Isto é uma fraude política de que o partido comunista se devia envergonhar. O partido comunista devia ir a eleições com o seu símbolo, a sua imagem, o seu nome, a sua historia, os seus filiados e não andar a esconder-se atrás de biombos eleitorais”.

Antes algum espanto dos locais que se foram amontoando para o ouvir, continuou: “Praticamente desde o 25 de abril que o PCP não concorre sozinho a umas eleições. O PCP tem medo de eleições, tem vergonha de ir as eleições democráticas com o seu símbolo, a sua historia e devia ir e não devia ter vergonha porque a história do PCP faz parte do património moral deste país e não devia inventar partidos que são clones do próprio PCP”. E para quem ainda tinha duvidas, concluiu: “Os verdes são aquilo que acabei de dizer”.