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Legislativas 2015

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As críticas de Jerónimo: a retórica de Costa, o ‘atrevimento’ de Passos e a fiscalidade de Bruxelas

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Marcos Borga

CDU quer dar à Cultura pelo menos 1% do PIB. Por isso, critica o que o Governo (não) deu ao sector, mas também o que António Costa disse (e não disse) sobre precisamente o mesmo sector (“mais importante que um Ministério é termos um Governo de cultura”, afirmou o socialista). E Jerónimo deixou reparos a Bruxelas, que sugeriu um aumento em Portugal dos impostos sobre o consumo, e ao facto de Passos ter dito que Costa deve demitir-se se perder no domingo

O secretário-geral do PCP criticou esta segunda-feira o desinvestimento "escandaloso" feito na Cultura nos últimos anos e propôs dar ao sector pelo menos 1% do PIB.

Num encontro com intelectuais e artistas na Cooperativa Árvore, uma referência na vida cultural do Porto, Jerónimo de Sousa acusou o Governo PSD/CDS de "desprezo e abandono das funções culturais do Estado", destinando à Cultura a "escandalosa cifra de 0,1% do PIB".

"Nos últimos anos, o apoio às artes perdeu 75% do seu orçamento. Muitos profissionais estão a trabalhar como amadores, imperando a precariedade e o desemprego. (...) Exige-se uma política de investimento que atribua à Cultura pelo menos 1% do orçamento do Estado ", defendeu, propondo ainda uma duplicação das verbas destinadas à ciência.

Mas as críticas do líder comunista não foram apenas para a coligação PSD/CDS. Jerónimo acusou também os socialistas de não terem propostas concretas para o sector e classificou de "mera retórica" as declarações de António Costa, que afirmou esta segunda-feira que "mais do que um Ministério da Cultura é importante ter um Governo de Cultura".

"Corre o risco de ser uma expressão meramente retórica. Era importante que dissesse qual seria o orçamento para a Cultura ou como resolveria o problema dos bolseiros e dos centros de investigação e laboratórios do Estado que estão envelhecidos e a serem encerrados. No concreto não disse nada aos homens da cultura e da ciência", criticou.

Marcos Borga

Em declarações aos jornalistas no final do encontro, Jerónimo comentou ainda um relatório da Comissão Europeia que sugere que Portugal deveria aumentar os impostos sobre o consumo. "É mais uma forma de empobrecer quem trabalha, praticando uma injustiça fiscal - porque nos impostos sobre o consumo paga tanto o pobre como o rico."

Para o secretário-geral do PCP, este "recado" de Bruxelas mostra mais uma vez aos portugueses que "têm de procurar um desenvolvimento soberano do país para não estarmos sempre dependentes da Europa".

Instado pelos jornalistas a comentar as declarações de Passos Coelho, que considerou que António Costa deve demitir-se se perder as eleições, Jerónimo não escondeu alguma irritação : "Não me cabe a mim ser juiz defensor do PS, mas acho que é um atrevimento Passos Coelho estar a meter o bedelho onde não é chamado. Não tem jeito nenhum."