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Legislativas 2015

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Passos. “Cuidado que as sondagens não votam”

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Luis Barra

Com as gentes da coligação cada vez mais convencidas da vitória, o líder laranja refreou os ânimos em Guimarães. “Não andamos com o rei na barriga”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Texto

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotografias

Fotojornalista

No centro histórico de Guimarães, Pedro Passos Coelho ouviu mais uma vez as hostes coligacionistas a gritar em coro "maioria" e "vitória". Ouviu quando ia pela rua, no meio de apoiantes com bandeiras erguidas e de jotinhas (que são muitos no distrito de Braga, transportados em autocarros - dois deles descapotáveis). Ouviu conforme eram atirados com confetis das varandas, para tornar a coisa ainda mais festiva, como se não bastassem os bombos que iam a abrir caminho. Voltou a ouvir quando parou para falar às gentes, no cruzamento da Rua de Santa Maria com a Praça de São Tiago, sitio bem mais acanhado do que o icónico Largo da Oliveira, ali mesmo ao lado, onde a caravana passou mas não parou.

A ideia de ter a vitória ao alcance da mão, que é suportada pelas sondagens e tem sido alimentada por responsáveis dos dois partidos, está interiorizada nos apoiantes da coligação. As palavras de ordem mostram isso mesmo. O que pode ser uma faca de dois gumes: motiva as estruturas do PSD e do CDS, mas também pode desmobilizar os eleitores, se acharem que o resultado está decidido.

Daí o aviso deixado por Passos, quando pegou no microfone no fim da arruada em Guimarães: "As sondagens não votam, quem vota são os portugueses. Andamos com a alma cheia, mas não andamos com o rei na barriga. As eleições só se ganham no dia 4 de outubro", alertou o líder laranja. E lembrou que é preciso votar para "que esse dia possa trazer uma grande vitória e uma boa e grande maioria" - mais uma forma nova de dizer maioria absoluta sem pronunciar essas palavras.

O aviso foi repetido ao almoço, perante umas 1500 pessoas (números da organização). "Cuidado porque as sondagens não votam", disse Passos outra vez. Confiança é bom, excesso de confiança não.