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Legislativas 2015

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Para Marcelo, PS “cometeu um erro de opção estratégica: optou pela esquerda”

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Marcelo Rebelo de Sousa

José Carlos Carvalho

O comentador da TVI considera que o líder do PS cometeu um erro ao “esquecer a direita” e apelar apenas à esquerda, perdendo assim a oportunidade de angariar alguns dos 600 mil votos que a coligação perdeu nas sondagens em relação a 2011. E define António Costa como “um líder muitas vezes sozinho”

No seu comentário habitual na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa avaliou a primeira semana de campanha eleitoral e considerou que António Costa cometeu vários erros que podem prejudicar o desempenho do Partido Socialista (PS) nas eleições do próximo domingo.

“O PS cometeu um erro de opção estratégica: optou pela esquerda e perdeu os 600 mil”, afirmou esta noite, referindo-se aos cerca de 600 mil votos que os partidos da coligação perderam nas sondagens, em relação a 2011. Segundo o professor Marcelo, o PS deveria ter aproveitado para “seduzir” esses eleitores hesitantes mas, ao optar por apelar ao voto “à esquerda”, esquecendo-se da direita, pode devolver esses votos ao PSD/CDS.

Esses eleitores “estavam disponíveis para aceitar uma proposta segura, certa, sem aventura, mas que desse mais esperança”, assegurou. “Mas esses 600 mil que estão hesitantes podem deslocar-se outra vez para a coligação, ou ficar abstencionistas, se a mensagem que ouvem é: 'Nós chumbamos um Orçamento se ganhar a coligação'.”

Para além disso, o ex-líder social-democrata destacou outras “pedras” no caminho dos socialistas, acrescentando que o PS não conseguiu escolher um caminho alternativo ao que o país tem atualmente. Sublinhando que a tradição europeia mostra que “é mais fácil” eleger um partido de centro-direita que de centro-esquerda, o professor Marcelo atira: “Ou se contesta em bloco, como tentou Tsipras, ou não se contesta.”

O caso Sócrates, a “colagem inicial, pontual (e posterior descolagem)” às eleições gregas, o “problema das Presidenciais” (com a candidatura autónoma de Maria de Belém) e a clivagem interna do PS (“má explicação da situação do país em 2011 e má avaliação do momento em 2015”) levam Rebelo de Sousa a concluir que António Costa é “um líder muitas vezes sozinho.”