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Legislativas 2015

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“O que nós queremos não é o absoluto, é estabilidade”

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Luis Barra

Pela primeira vez, Passos fala ao eleitorado tradicional do PSD e Portas ao do CDS. A matriz social-democrata não mudou, garantiu o líder laranja, com o discurso focado no combate às injustiças sociais

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Pela primeira vez nesta campanha, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas falaram ao "eleitorado tradicional" dos respetivos partidos, cuja ida às urnas a coligação considera decisiva para confirmar aquilo que as sondagens dizem que poderá ser uma vitória da direita. Foi este domingo à noite em Braga, num comício no parque de exposições da cidade, num auditório com 1400 lugares sentados, que encheu e obrigou muita gente a ficar de pé.

"O facto de termos enfrentando situações muito difíceis nunca mudou a matriz do meu partido, nunca alterou visão que tínhamos para Portugal", assegurou Passos ao povo social-democrata, indo mesmo ao ponto de garantir que "hoje estamos em bem melhores condições de poder concretizar essa visão de futuro que temos para o nosso país". Qual? Uma visão de futuro que, ultrapassado o resgate, passa pelo crescimento económico mas também por "colocar esse crescimento ao serviço de todos os portugueses e não apenas de alguns".

Como que a provar que não desviou o PSD da sua matriz social-democrata, Passos tem dado cada vez mais destaque, nos seus discursos, ao combate às desigualdades e à igualdade de oportunidades. Insistiu nisso esta tarde, num encontro com meio milhar de jovens, em Famalicão, e voltou ao tema à noite, falando num "movimento de aspiração do país que nos possa transportar a um nível superior" de "igualdade de oportunidades e menos injustiças sociais".

Também Paulo Portas falou ao "eleitorado tradicional do CDS que ainda esteja com dúvida, legítima e compreensível, entre a abstenção e ir votar no dia 4". Deixou-lhes as duas certezas que tem sobre a sua gente: "não quer instabilidade porque teme o caos político, não quer um governo dependente de partidos que acham que Portugal deve sair do euro ou não deve pertencer à UE".

Luis Barra

Não são os partidos, é Portugal

O discurso orientado para os partidos foi inédito nesta campanha, e é um parêntesis num guião todo orientado para desvalorizar as marcas partidárias, em favor da sigla Portugal à Frente. Em rigor, da sigla Portugal, que tem substituído os tradicionais cânticos de "PSD, PSD" e "CDS, CDS". Mais: o voto não é pedido para os partidos, mas para Portugal. E toda a campanha convida à diluição das querelas partidárias, em nome do diálogo e de entendimentos. "São eleições que não podem ser reduzidas à expressão dos partidos, não podemos apenas apelar aos nossos partidos, o que nós apelamos, eu e o dr. Paulo Portas, é a Portugal e aos portugueses".

"Uma eleição não é uma guerra", disse Passos, repetindo uma frase já dita por Portas, o que deu o mote para a importância do diálogo após as eleições. "Nestes 4 anos tivemos essa atitude, tivemos na campanha também e não deixaremos de ter no dia a seguir às eleições", garantiu Passos.

Mesmo a maioria que a coligação tem pedido é apresentada como uma necessidade nacional - significa a "estabilidade que é boa para Portugal". Mas é pedida sem usar a palavra "absoluta", por razões que Passos explicou neste comício.

"Já perceberam porque não gosto de falar em absoluto. Tal poder não existe e ainda bem, ninguém gosta de poderes absolutos. (...) O que nós queremos não é o absoluto, é estabilidade para poder governar. E isso toda gente sabe o que é."