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Legislativas 2015

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Costa e Assis unidos no apelo ao voto útil

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Rui Duarte Silva

A uma semana das eleições, os socialistas concentram esforços numa única mensagem aos eventuais indecisos: que “não desperdicem” votos noutras forças políticas. Francisco Assis juntou-se ao líder socialista em Barcelos e garantiu estar “plenamente convencido” da vitória do PS

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

O dia correu bem a António Costa. O primeiro domingo de outono, com temperaturas e um sol ainda de verão, trouxe muita gente às ruas de Guimarães, Fafe e Barcelos e, com ela, um suplemento de otimismo à caravana socialista, que dia sim, dia sim, tem de lidar com estudos de opinião quase sempre desfavoráveis. Tanto assim que, a uma semana das eleições, o líder do PS e candidato a primeiro-ministro optou por retirar as sondagens do discurso oficial (embora elas continuem a dominar as conversas de bastidores) e concentrar toda a sua atenção no apelo ao voto útil, lembrando, em todas as vezes em que sobe ao palco, que o próximo domingo oferece uma "oportunidade única para decidir o futuro do país". Uma linha discursiva com expressão, de resto, nos novos (e derradeiros) outdoors socialistas, que apelam ao voto com uma simples frase: “O voto é que decide”.

Ao início da noite, em Barcelos, Costa elencou quatro razões para o voto no PS: 1) o facto de a coligação estar “esgotada”, não ter ideias para o futuro e se preparar para mais “quatro anos iguais aos que vivemos”; 2) a necessidade do país “encerrar um ciclo esgotado e encetar um novo ciclo de esperança”; 3) o cansaço com “um país crispado, dividido, em conflito” por ação de “um Governo que dividiu gerações e separou famílias”; 4) a “confiança” que o PS deposita no país e num “povo que não perdeu a memória e vai apresentar a conta por tudo o que lhe fizeram nestes quatro anos”.

Rui Duarte Silva

Assis: “Podes não perceber muito de cartazes mas vais ser um grande PM”

Antes de Costa, Francisco Assis também discursou, dirigindo um apelo especial aos indecisos, cujo "grande número" considera gravitarem à volta do PS: "Não tenham medo do discurso do medo", pediu, salientando que "a coligação falhou ao longo destes quatro anos (...) fez uma opção por uma política económica errada, baseada numa austeridade extremista com consequências catastróficas".

O eurodeputado que encabeçou a lista às últimas europeias - na sequência das quais Costa desafiou a liderança de António José Seguro - fez uma intervenção muito crítica de Passos Coelho e Paulo Portas : "Não é verdade que não tenham um programa. Só que não o apresentam. Como há quatro anos também o tinham e enganaram a maioria dos portugueses". Um programa que, resumiu, "assenta na mão-de-obra barata, não aposta na qualificação, acha que temos de ter um modelo de sociedade próximo do terceiro mundo e não da Europa".

Elogiando António Costa, alguém que "não surgiu ontem na vida política portuguesa" e a quem "não se lhe associa uma só suspeita, um só caso, uma só interrogação acerca da sua probidade e da sua dedicação ao interesse público", mostrou-se "plenamente convicto" da vitória do PS. Mas "corrigiu" o líder socialista: "O que vai estar em causa (no domingo) é muito mais que os próximos quatro anos". E deixou uma chamada de atenção: "No domingo, a questão central para o país é saber se vamos continuar com o atual primeiro-ministro e Paulo Portas a acolitá-lo, ou se vamos ter António Costa como primeiro-ministro". Numa referência ao infeliz incidente com os cartazes que marcou o início da campanha (e obrigou ao despedimento do diretor de campanha), ainda brincou: " Podes não perceber muito de cartazes, mas vai ser um grande primeiro-ministro".

Rui Duarte Silva

A responsabilidade alargada do PS

Já começara a ser referida ontem, no Porto, perante uma plateia onde se distinguia o pai do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco. Mas, hoje, Francisco Assis e António Costa voltaram a falar dela, da "responsabilidade acrescida" do PS em representar muitos que, tendo tido outros percursos políticos que não no PS, democratas-cristãos, adeptos da doutrina social da Igreja ou do humanismo pessoalista, se juntaram aos socialistas no combate pelo modelo social europeu. O nome de hoje foi o de Diogo Freitas do Amaral. O fundador do CDS, que foi ministro no primeiro Governo Sócrates, esperou por Costa no final da arruada em Guimarães, para um fotogénico abraço.

  • PS. Afinal, quem é o dono da estabilidade?

    Prossegue a estratégia da bipolarização. Em Guimarães e, depois, em Braga, Costa respondeu a Passos: ao contrário do que ameaça a coligação de direita, um Governo PS não traz instabilidade mas estabilidade. E voltou a pedir uma maioria, "com todos os adjetivos"