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Legislativas 2015

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CDU recusa “fazer um jeitinho” ao PS

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Marcos Borga

Secretário-geral comunista garante que a CDU está disponível para negociar, mas não fará cedências ao PS

O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, deixou este domingo em Évora um recado claro a António Costa, afirmando que a CDU não está disponível para ceder a qualquer preço ao PS no sentido de viabilizar futuros acordos no Parlamento.

“O PS insiste um pouco na ideia de que a gente poderia dar um jeitinho. Escolham lá onde é que vocês podiam ceder. Não se percebe bem esta pergunta. Ceder em relação à renegociação da dívida? Cedermos em relação ao tratado orçamental? Cedermos em relação aos direitos dos trabalhadores e aos seus salários? Calarmo-nos em relação ao congelamento das pensões e das reformas e à não reposição do que lhes foi roubado? Abdicar da defesa do SNS e da escola pública? Digam lá o que é que querem. Temos disponibilidade para dialogar, mas se é para isto nem tentem”, afirmou Jerónimo de Sousa, num comício em Évora.

No emblemático teatro Garcia de Resende, onde se juntaram mais de 600 pessoas, lotando completamente a sala, o secretário-geral comunista frisou que a CDU não mudará uma só palavra relativamente ao seu programa e às suas propostas. E aproveitou para mais uma bicada ao PS e às contradições dos socialistas, desde os tempos de Mário Soares até hoje.

Marcos Borga

“Nós temos uma só palavra, uma só cara. Percebo que para partidos que hoje dizem uma coisa e amanhã outra não há problema. Aliás, um fundador do PS descobriu a grande solução mágica para não ser apanhado nessa contradição, dizendo que só os burros é que não mudam de ideias. A partir daí, valeu tudo, a mentira, a contradição”, afirmou

O PS voltou a ser, aliás, um dos principais alvos da CDU, que tem reiterado ao longo desta campanha que não existem diferenças significativas entre os socialistas e a coligação PSD/CDS. A vitória de um ou de outro nas legislativas do próximo dia 4 de outubro, sublinhou Jerónimo, representa manter o mesmo “rumo ao desastre” e a mesma política de direita, “dependente da Europa e dos agiotas”.

Por isso, “o único voto útil é na CDU”, exclamou o secretário-geral comunista este domingo, a uma semana das eleições, criticando a bipolarização e os apelos ao voto dos socialistas.

Com vincado sotaque alentejano, João Oliveira, líder parlamentar do PCP e cabeça-de-lista da CDU por Évora, de onde é natural, também colou o PS à coligação governamental. “As pessoas estão cansadas de ser enganadas pela troika PS/PSD/CDS. É tempo de dizer basta!”.