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Legislativas 2015

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Tensão em Paços de Ferreira: “maioria” vs. “mentirosos”

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Luis Barra

Mais uma paragem de Passos perturbada pelos lesados do BES. Coligação teve de se desviar dos protestos, mas estes seguiram atrás

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotografias

Fotojornalista

Mais uma voltinha, mais um protesto. Foi a segunda manifestação dos lesados do BES a intrometer-se na agenda deste sábado da coligação Portugal à Frente. Depois de Marco de Canavezes, foi em Paços de Ferreira. Os manifestantes eram os mesmos da manhã (andavam num autocarro), com alguns reforços - somavam cerca de meia centena.

Os apoiantes da coligação eram muitos mais e, no primeiro “embate”, venceram também a batalha do ruído. De um lado, os apitos, buzinas, megafones e o bombo dos manifestantes, que traziam bandeiras negras e palavras de ordem inscritas em cartazes e t-shirts. Do outro, três poderosas colunas de som a debitar cada vez mais alto o hino da coligação, enquanto uma voz anunciava a presença ali, no coreto municipal, àquela hora, de Passos e Portas. No segundo embate, pelo espaço, também levou vantagem a gente da coligação - os manifestantes combinaram com o capitão da GNR local que ficariam para trás de um cabo elétrico que passava no chão, mas aos poucos, passos a passo, dos das bandeiras laranja e azul iam encostando os das bandeiras pretas mais para trás.

Luis Barra

O clima era tenso, com ameaças de escaramuças que nunca se concretizaram, tanto por mérito dos responsáveis da caravana partidária, como dos líderes dos lesados. A presença de GNR e vários polícias à paisana da segurança da campanha também terá contido ânimos.

O lado coligacionista preferiu não ir para o olho do furacão. Enquanto o sistema de som continuava a anunciar Passos e Portas no coreto, correu de boca em boca a informação de que o encontro com a população seria uns metros á frente, do outro lado do jardim. As hostes de direita deslocaram-se, os lesados do BES ficaram para trás. Quando tentaram ir até ao sítio onde estavam o líder e o vice da coligação, policias, GNR e pessoal da campanha travou-lhes o passo.

Foi quando os ânimos mais se exaltaram - um assessor do PSD tentou desmobilizar os manifestantes, lembrando que o primeiro-ministro já os ouviu e prometeu tentar ajudar, mas os lesados do BES não se conformavam por ficar à distância.
Enquanto isso, ao pé do pelourinho, o primeiro-ministro confessava uma “alegria muito grande” pelo apoio que ali tinha. O ruído que chegava dos protestos, e que impedia muita gente de ouvir Passos, não perturbou o discurso otimista deste. Falou num “futuro com esperança”, defendeu a “estabilidade política” para que todos os portugueses “beneficiem do crescimento económico, de mais emprego e mais justiça social”.

Justiça era o que pediam os lesados do BES. Mário Costa, 71 anos, emigrante em Franca há 45, contava que perdeu 50 mil euros em papel comercial vendido pelo BES, “o trabalho duma vida toda”. Natural de Espinho, “a terra do Montenegro, meu vizinho", conta que é "militante do PSD e militante de Portugal” - mas um e outro desiludiram-no. “Tinha a ideia de vir viver para Portugal, mas depois disto, faço férias cá mas vou viver a minha reforma lá. O que me fizeram não se faz.”

As histórias repetem-se, mas ali poucos as ouvem. Mesmo Passos mal se ouve, apesar do megafone. É interrompido por um cântico dos seus - “Já só falta uma semana para a vitória” - e, depois, um coro deMaioria! Maioria!”. Do outro lado levanta-se outro grito coletivo, “Mentirosos! Mentirosos!” Passos Coelho respondeu aos seus com uma piada repetida - “Não se esfola um coelho antes de o caçar. Aos outros, não disse nada.