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Legislativas 2015

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“Tenham paciência, connosco não!”

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José Caria

Jerónimo de Sousa deixou claro que a CDU não quer nem pode fazer acordos com PSD, CDS ou PS. Aos socialistas, mais uma vez, foram reservados os maiores 'mimos'. O líder do PCP lembrou que “foi o PS que desencadeou os ataques aos direitos dos trabalhadores” e até referiu o primeiro caso, em 1976 “com Mário Soares e os contratos a prazo”

Rosa Pedroso Lima

Rosa Pedroso Lima

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Jornalista

José Caria

José Caria

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Fotojornalista

“É uma declaração pesada, mas verdadeira”. Foi assim que Jerónimo de Sousa introduziu a maior crítica ao PS desta noite de campanha eleitoral. O auditório Eunice Munoz, em Oeiras, estava cheio e o líder comunista quis deixar bem claro que entendimentos pós-eleitorais com os maiores partidos é uma impossibilidade. E nem uma aproximação com os socialistas está em cima da mesa. “Foi o PS que desencadeou os ataques aos direitos dos trabalhadores. E já nem falo de 1976, no Governo de Mário Soares e dos contratos a prazo”. O recado ficou bem dado, a plateia aplaudiu com força.

As diferenças com os socialistas são um 'must' da retórica eleitoral da CDU nestas Legislativas. Já em Serpa, Jerónimo tinha explicado que “a fronteira” que divide esquerda e direita traça-se a partir da “defesa dos salários e dos direitos dos trabalhadores”. Os socialistas - estes e os anteriores - há muito que, segundo a CDU, cruzaram a linha vermelha e uma hipótese de reconciliação é praticamente impossível. A CDU não esquece que foram nos PECs do governo de Sócrates que foram estabelecidos os primeiros cortes salariais. Ou que o programa socialista admite uma reformulação dos contratos de trabalho.

O líder comunista desafia muitas vezes a audiência, como fez esta noite: “olhem para os programas deles, oiçam os discursos”. Pergunta-lhes: “onde esteve o PS nestes quatro anos em que a coligação infernizava a vida dos portugueses?”. E até revela, como é várias vezes interpelado por eleitores que não entendem: “porque não nos entendemos com eles?” Mas a resposta é sempre a mesma e surge em tom de pergunta: “O que queriam? Que a CDU aceitasse os ataques aos trabalhadores e à Segurança Social? Que fechasse os olhos à dívida”.

“Tenham paciência, connosco não!”. A frase é todo um programa. Os comunistas estão disponíveis para o compromissos, mas apenas “sobre propostas que defendam os interesses dos trabalhadores e do povo. E não têm dúvidas de que estão do "lado certo", eles que “são gente séria” e que “não estamos embriagados pelo poder”.

Assunto arrumado, o PS está fora de jogo. Ou antes, como disse Jerónimo há uns dias. “A bola está do lado do PS”. “Acerte o nome com a política que defende”, o que traduzindo por miúdos, quer dizer que tem de mudar de linha política para ser verdadeiramente socialista. Ou mudar a designação para continuar a “praticar a política de direita” com que a CDU classifica a sua atividade nos últimos “39 anos”.

A uma semana das eleições, os comunistas parecem ter ganho confiança num bom resultado. Jerónimo já fala na possibilidade de “ter mais deputados” e até confessa ter “encontrado mais gente do PSD a dizer que vai votar na CDU pela primeira vez, porque estão desiludidos e têm uma profunda desconfiança em relação ao PS, pelo que fez e pelo estado em que deixou o País”. Mas, na verdade, ainda falta muito terreno de campanha para desbravar. “Isto vai ser muito disputado, conclui Jerónimo.