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Legislativas 2015

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Passos tem um novo aliado, o “colega Alexis Tsipras”

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Luis Barra

Primeiro-ministro elogia a guinada centrista do colega grego e faz paralelo com Portugal, onde António Costa quer “um governo da extrema-esquerda mais radical”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotojornalista

Em fevereiro, quando o “radical” grego Alexis Tsipras se estreou num Conselho Europeu, ficou para a pequena história o pormenor de Pedro Passos Coelho não o ter cumprimentado, nem sequer dirigido a palavra. Em março, no encontro seguinte em Bruxelas, já o cumprimentou, mas esclareceu que não lhe deu conselhos. Em setembro, que Tsipras já não tem fama de radical e até já assinou um memorando de austeridade com a troika, Passos não só o cumprimenta pela eleição como lhe dá os parabéns pelo programa de governo. E trata-o como “o meu colega Alexis Tsipras”.

Agora que o grego já não é uma ameaça, o chefe do Governo português aponta-o como exemplo de moderação, contrastando com o radical... António Costa.

“Tive a oportunidade, no último Conselho Europeu, de felicitar o meu colega Tsipras, da Grécia, pelo resultado das suas eleições, e desejar com sinceridade toda a sorte do mundo”, informou Passos Coelho, em Felgueiras, num almoço com apoiantes da coligação que encheu o pavilhão da escola secundária local.

Mas a questão de Passos, obviamente, não era com as eleições que já passaram na Grécia, mas com as que vêm aí em Portugal. Como se percebeu pelo andar do discurso. “Até o meu colega Alexis Tsipras conseguiu o apoio dos gregos para recusar o radicalismo que antes existia dentro do seu próprio partido. Quem ganhou as eleições gregas desta vez não é exatamente a mesma força política” que tinha ganho em janeiro.

Se, na Grécia, Tsipras limpou o governo do radicalismo de Varofakis, em Portugal António Costa dá sinais de querer fazer o contrário e levar os “radicais” para o governo. Foi esse o aviso que Passos quis deixar este sábado, depois da manchete de hoje do Expresso.

A prova está, diz, na “promessa do atual líder do PS” caso o PaF vença as eleições: “Podem ter a certeza que me aliarei aos comunistas e aos bloquistas, não apenas para que esse governo não tome posse e não governe, mas sobretudo para que um governo da extrema-esquerda mais radical possa, contra a vontade dos portugueses, governar o país”.