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Legislativas 2015

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Passos “grita que vem aí o lobo” porque “está desesperado”

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José Caria

E ao sétimo dia, a CDU teve o primeiro grande banho de multidão. Em Almada, claro está, ninguém faltou à chamada. Perante cerca de três mil pessoas, Jerónimo comentou o comentário de Passos Coelho sobre um possível entendimento entre PS e PCP. É agitar um papão e uma “ingratidão para com o PS que sempre optou pela direita"

Rosa Pedroso Lima

Rosa Pedroso Lima

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Jornalista

José Caria

José Caria

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Fotojornalista

Um dia a jogar em casa, dá mais confiança ao líder comunista. Hoje, entre Alcochete e Almada, Jerónimo assumiu que está "confiante num bom resultado" e até "que o número de deputados vai aumentar" para a coligação de esquerda. Casa cheia e redobrados incentivos a cada porta, café ou estabelecimento comercial em que o líder comunista entrou, dão animo à campanha, que agora parece ter mudado de velocidade e estar apostada em aumentar o ritmo.

A "confiança" reflecte-se também no contra-ataque direto aos adversários. Se, ontem Passos Coelho, se referiu aos perigos de um resultado eleitoral sem uma maioria clara, Jerónimo responde hoje em direto. Primeiro, para dizer que isso é "chantagem". Depois, para carregar ainda mais nas tintas e tirar ilações. "Há para aí quem se esforce, usando todos os truques, para apresentar como vencedores aqueles que são derrotados". PSD e CDS estão longe da maioria conquistada em 2011 e, matematicamente, isso é uma derrota.

Mas há mais: se o primeiro ministro se refere a um eventual acordo de governo entre PS e comunistas, "só pode ser sinal de desespero". A ironia não mata, mas mói e Jerónimo aproveita para lembrar a "grande ingratidão que isso representa para o PS, que sozinho é livre de fazer qualquer opção, sempre optou pelo lado da direita".

Passo, "grita, grita que vem aí o lobo". É desespero por uma "derrota certa no próximo dia 4 de outubro".

O discurso do líder comunista foi todo ele apontado para as culpas no cartório que, conjuntamente, atiram PSD, CDS e PS para o limbo da CDU. Jerónimo isenta-se de culpas pelo estado a que o país chegou, tal como se iliba de responsabilidades por, agora, não querer fazer parte de qualquer solução de compromisso. "Não fomos nós que os juntamos. São eles que passam a vida juntos e que juntos querem continuar", disse.