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Legislativas 2015

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Livre. Rui Tavares acusa Portas de “meter medo” às pessoas

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Rui Tavares, lider do Livre, discursa durante o comício de campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizam no dia 4 de outubro na Sociedade Filarmónica Incrivel Almadense, em Almada

MANUEL DE ALMEIDA

O cabeça de lista por Lisboa do Livre/Tempo de Avançar (L/TDA) acusou hoje o líder da coligação Portugal à Frente Paulo Portas de “meter medo" às pessoas relativamente ao futuro do país

"Nós ouvimos hoje Paulo Portas meter medo às pessoas, pois, segundo ele, há um clima de confiança que não pode ser destruído, ouvimos Paulo Portas a dizer que se mudarmos o que acontece é que voltaremos a ter défice, que ironia", afirmou Rui Tavares num comício com cerca de uma centena de apoiantes, que decorreu em Almada. O líder do L/TDA criticou também a direita por "privatizar muito", tendo salientado que "Paulo Portas não pode privatizar a realidade, não pode ter uma realidade só dele".

Para o antigo eurodeputado, quem "veio repor a verdade foi Pedro Passos Coelho". "Agora, depois destes anos todos já estamos a andar para trás, dizia ele, querendo dizer que a dívida já estava a andar para trás, mas fugiu-lhe a boca para a verdade porque com este Governo estamos a andar para trás", apontou Rui Tavares, com risos e palmas da plateia.

Apresentado como próximo deputado à Assembleia da República, e recebido efusivamente na sala Incrível Almadense, o dirigente do L/TDA salientou ter chegado "uma política para mudar mesmo a política" já a partir de dia 04 de outubro, mostrando-se convicto de que o partido irá eleger deputados e formar um grupo parlamentar.

"É possível, necessário e urgente construir um Portugal que não seja sempre dos mesmos", vincou o candidato, acrescentando ser a favor da democracia e não da "mesmocracia". Uma vez eleito, Rui Tavares garantiu que não irá deixar que os políticos "se esqueçam dos refugiados" e que irá lembrar "aos camaradas de esquerda que agora é para mudar, é a valer". "Precisamos só de dizer aos eleitores que o medo não liberta, nós queremos determinadamente ser livres e seremos livres", declarou.

Também presente esteve a número dois da lista do círculo de Lisboa e antiga parlamentar, Ana Drago, que lembrou as polémicas com os cartazes da coligação Portugal à Frente e do Partido Socialista, tendo criticado ainda umas "fotografias marotas que nada tinham a ver com a crise ou o desemprego", nunca referindo o nome de Joana Amaral Dias, também ela antiga deputada do Bloco de Esquerda. Ana Drago considerou que os sacrifícios feitos pelos portugueses foram para "o altar de Ricardo Salgado e do BES" e que "a 'troika' continua a mandar no país".

A cabeça de lista por Setúbal do "partido das papoilas" [símbolo do L/TDA), Isabel do Carmo, fechou o comício apelando à "luta por um grupo parlamentar", tendo sublinhado que "o sistema financeiro está a caducar e à medida que vai morrendo vai causando sofrimento". "Neste país há fome, fome que não aparece na rua" frisou. Isabel do Carmo afirmou ainda que o facto de o povo grego continuar a votar à esquerda é um sinal de mudança, tendo a plateia respondido: "nós somos a mudança".

Houve ainda tempo para apelar à generosidade dos presentes para contribuírem para a campanha eleitoral, com Rui Tavares a ressalvar que o partido começou sem dinheiro e "continua a não o ter".