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Chegar, discursar e sair: como os lesados do BES apressaram o PaF

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Luis Barra

Paragem da coligação em Marco de Canavezes marcada por protesto. De frente para bandeiras negras, Portas e Passos agradeceram o apoio. Houve barulho, não houve problemas

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotojornalista

Não terá durado mais do que um quarto de hora a passagem de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas por Marco de Canavezes. Numa praceta em frente à câmara municipal, os líderes da coligação tinham à sua espera, para além de bastantes apoiantes, mais de três dezenas de lesados do BES, que os esperavam com cartazes e bandeiras negras. Passos e Portas subiram a um banco de pedra, fizeram curtos discursos de improviso e voltaram para os carros, protegidos por seguranças e rodeados de gente que os queria saudar mas quase não teve oportunidade para isso.

Não houve confrontos nem confusão, mas muito barulho e segurança q.b. Dispostos numa escadaria que dava para a praceta, os manifestantes estavam separados da gente da coligação por um cordão de cerca de dez agentes da GNR e um grupo de bombos contratado pela coligação, que dava o seu melhor para abafar o som dos protestos. Os lesados tinham apitos, buzinas, e também um bombo - era só um, mas tinha sobre os outros a vantagem política de a baqueta bater sobre as caras de Passos, Maria Luis Albuquerque, Carlos Costa, Stock da Cunha e Mario Draghi.

Passos, Portas e os dois principais candidatos da coligação pelo distrito do Porto - Aguiar Branco e Mota Soares - ficaram do outro lado da praça, rodeados de apoiantes. Pegaram num microfone e fizeram discursos a despachar. “Em democracia, respeitamos a opinião de todos”, começou o líder do CDS, que acabou, ao fim de um minuto, a pedir “a vossa força, a vossa mobilização e o respeito de todos”.

Frente a frente com as bandeiras negras, sempre com o som do protesto em fundo, Passos deu “uma palavra a todos os que estão aqui a apoiar-nos”. ”Temos tido, a cada dia que passa, uma onda cada vez mais forte de apoio”, assegurou, elogiando a sua própria campanha por permitir “um debate com pluralismo e tolerância”.

Sem identificar destinatário, Passos disse ter “pena que, ao fim de 40 anos de democracia em Portugal, ainda haja quem não tenha aprendido a lição de democracia e considere que a campanha eleitoral não é o momento de unir todos os portugueses. Quanto mais as pessoas vêem esses comportamentos, mais se juntam a nós”. São palavras parecidas com as que Passos tem dirigido a António Costa - mas Costa estava longe e o protesto dos lesados do BES estava ali mesmo à sua frente.

“O BES é seguro, tem uma almofada”...

Rui Alves, um dos manifestantes, perdeu 500 mil euros em papel comercial do grupo Espírito Santo e veio do Porto para aquela manifestação. Explica que o protesto naquele local era “uma homenagem a um colega nosso que é daqui”. Na sua t-shirt preta traz inscrições à frente e nas costas. À frente: “Carlos Costa, Passos Coelho, carrascos dos poupados”. Nas costas: “Queremos as nossas poupanças. Justiça”.

Ao seu lado, outro manifestante segura um quadro com as garantias que em tempos o Governo deu sobre a marca Espírito Santo: “O BES é seguro, tem uma almofada que garante tudo”. Conta que apitou “forte” enquanto Passos falava, mas que, apesar disso, o ouviu. “Para mim, não disse nada. Só as mentiras de campanha para a gente dele.”

Nesse momento, já o Portugal à Frente ia a caminho de Felgueiras, depois de Passos ter agradecido aos seus apoiantes “o apoio extraordinário que estão a dar e a imagem serena, tranquila e confiante”. Apesar do atraso com que chegaram a Marco de Canavezes, não foi por pressa que a comitiva abandonou tão depressa essa terra - ao chegarem a Felgueiras, ainda fizeram um compasso de espera num hotel perto do pavilhão onde se realizou o almoço. Passos e Portas demoraram-se mais nessa paragem do que em Marco de Canavezes.