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Catarina Martins: “O plano de devolver a sobretaxa é uma treta”

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Nuno Botelho

A porta-voz do BE lembrou nesta noite de sexta-feira em Faro que o Pedro Passos Coelho de 2015 que vai devolver a sobretaxa é o mesmo que em 2011 disse que não iria cortar o subsídio de Natal

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

“Em quem confia mais? no Passos Coelho de 2011, que não ia cortar o subsídio de Natal, ou no Passos de 2015 que vai devolver a sobretaxa em 2016?”, perguntou Catarina Martins no comício do BE em Faro, que encheu o auditório do Instituto da Juventude, onde na assistência e entre jornalistas se suava em bica.

O cenário de devolução de parte da sobretaxa foi o ponto de partida da dirigente bloquista, numa noite em que os primeiros aplausos foram para o cortante discurso de Alfredo Barroso.

O ex-socialista agora ao lado do BE chamou a Pedro Passos Coelho um “mentiroso compulsivo” e um “político amoral e sem escrúpulos”.

Segundo Catarina Martins, o plano de devolução de parte da sobretaxa é “genial. Só tem um pequenino problema: é uma treta”.

Para a porta-voz do BE, que ao longo dia fez campanha no Algarve - de manhou viajou de barco na Ria Formosa e visitou uma unidade de transformação de bivalves, tendo da parte da tarde feito uma arruada em Olhão -, "a recolha de impostos é inflacionada pela retenção indevida, sobretudo do IVA". Por isso, são as "empresas que estão a patrocinar a propaganda do Governo".

Nuno Botelho

Assumir as escolas e recusar os (falsos) consensos

Num discurso em que fez marcação cerrada ao assunto do dia (a sobretaxa), Catarina Martins fixou também algumas baias estratégicas para o Bloco. Assim, criticou a ideia do “consenso” lançada por Passos Coelho. “Não há consenso possível entre dar 4 mil milhões de euros ao BES ou usar esse montante para pagar o subsídio social de desemprego durante dois anos. Não há consenso; há escolhas. Ou é o BES ou são as pessoas”, sublinhou Catarina Martins.

Num discurso com forte pendor ideológico, a confrontação foi assumida sobretudo com a direita. Ao contrário de outros discursos de Catarina Marins, o PS foi desta vez mais poupado. Não deixou, no entanto, de ser visado. “Não há nenhuma diferença de fundo para o país entre quem quer cortar pensões e as quer congelar”. De seguida, afirmou: “Não aceitamos falsas escolhas daquilo que é igual”.

A Alfredo Barroso, que já estivera antes numa iniciativa do Bloco na campanha para as europeias, Catarina Martins agradeceu a “convicção das ideias”. E estas, proferidas minutos antes, além de claras, foram contundentes quase sempre.

Nuno Botelho

Alfredo Barroso sem meias palavras

O ex-chefe da Casa Civil do Presidente da República Mário Soares, de quem é sobrinho, trouxe à campanha do Bloco a defesa das “classes médias e classes populares” e a denúncia do “benefício exclusivo” dado pelo atual Governo, de uma “direita ultraliberal e reacionária”, às “élites económicas dominantes e aos plutocratas”.

Alfredo Barroso falou de “esbulho” e de algumas das “armas” do Executivo de Passos Coelho: a “mentira compulsiva”, que usa a “amnésia, para inocular nos seus apoiantes”, e a “resignação, que instila no resto da população”.

Nem o PS Barroso deixou de fora, embora sempre em referências implícitas. Falou dos “três partidos do chamado arco da governação”, os “responsáveis pelo estado a que Portugal chegou”. E solução para o futuro, prosseguiu, jamais passará pela “alternância entre partidos políticos que não representam qualquer alternativa”, antes são um “rotativismo deprimente”.

Ao seu serviço o Governo tem também, disse Alfredo Barroso, um “exército de economistas mercenários e de jornalistas serventuários”.