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Legislativas 2015

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António Costa: “Ou se ganha agora ou se perde para quatro anos”

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Rui Duarte Silva

Esta tarde, no largo da Cordoaria, no Porto, o líder socialista dramatizou o apelo ao voto: “Nestas eleições não há segunda volta”. E perdeu de vez medo de usar o adjetivo “absoluta” para qualificar a maioria que quer obter no domingo. Na plateia, Fernando Aguiar Branco (pai do ministro da Defesa) e Nuno Portas (pai do vice-primeiro-ministro)

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Não chega derrotar a coligação. António Costa quer que um Governo socialista tenha "condições" para governar o país. E para isso precisa de ser "maioritário". Sem deixar dúvidas de que tipo de maioria se está a falar. Disse-o uma vez: "Sabemos bem que uma maioria absoluta é necessária". Duas vezes: "Mas também sabemos que a maioria absoluta não é suficiente e deve existir com diálogo social e compromissos políticos alargados". Três vezes: "É o PS que está em melhores condições para obter uma maioria absoluta". Depois enfatizou: para que a mudança aconteça, as eleições do próximo domingo são a "única oportunidade". "Nesta eleição não há segunda volta, segunda mão (...). Não é um campeonato que se ganha aos pontos". "Ou se ganha agora ou se perde por quatro anos", dramatizou.

Num apelo ao voto de todos que tem marcado quase todas as intervenções dos socialistas nestes dias, recordou o que se dizia em 1975, aquando da eleição da Assembleia Constituinte (nas primeiras eleições democráticas, as mais participadas de sempre, com apenas 8,3% de abstenção): "O voto é a arma do povo e é cada voto que decide". Da sua perspetiva, de resto, a escolha é "muito clara": entre "um PS que os portugueses conhecem bem, partido fundador da democracia e da liberdade, da integração europeia, do diálogo, da concórdia e da unidade nacional" e uma "coligação de direita que se afastou das raízes fundadoras dos dois partidos que a foram, da democracia cristã, da doutrina social da igreja, de muitos dos valores que foram património comum com os socialistas e os sociais-democratas na construção do Estado Social europeu". Foi a deixa para agradecer a presença (e o apoio) de Fernando Aguiar Branco, pai do atual ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco.

A avó do Capuchinho vermelho

O discurso do secretário-geral do PS endureceu, depois. Costa acusou o Governo de "radicalismo" ideológico e insensibilidade social, considerando que "chegou a hora dos portugueses apresentarem a conta" a um "Governo que durante 4 anos governou contra os portugueses". Com um alerta: "Agora que estão em campanha, claro que vêm prometer tudo a todos; mas lembrem-se: eles já traíram os portugueses e quem traiu uma vez trai duas e se à primeira vez qualquer um cai, à segunda só cai quem quer e ninguém pode voltar a c na esparrela deste Governo". "É preciso ter muita cautela. Agora bem querem parece a avozinha do Capuchinho Vermelho, mas todos conhecemos a história: eles não são a avizinha, são mesmo o Lobo Mau".

A intervenção foi feita perante um largo da Cordoaria, junto à Torre dos Clérigos, cheio de socialistas vindos de todo o distrito, a coroar um dia passado em ações de rua com bastante mobilização naTrofa, em Vila do Conde, Ermesinde e Gondomar. Costa falou durante pouco mais de 35 minutos, e após os discursos de Manuel Pizarro (vereador da Câmara do Porto), José Luís Carneiro (presidente da Federação do PS/Porto), António Vitorino (a cumprir o papel de "special guest star") e Alexandre Quintanilha (o académico independente que encabeça a lista de candidatos a deputados).

Rui Duarte Silva

“Pôr os políticos todos a limpar florestas

Houve uma inédita invasão do palco quando António Costa começava a discursar. Um jovem, ostentando um cartaz (glosando os outdoors do PS) onde se lia "Há outro caminho: os políticos a limpar florestas", aproximou-se do microfone e do líder socialista para gritar "quero pôr estes políticos a limpar florestas, todos", numa referência à polémica sugestão que Costa deu, há umas semanas, a propósito da integração de refugiados sírios na sociedade portuguesa. O líder socialista não se deixou perturbar pelo invasor, estendeu a mão ao jovem e aproveitou para lhe dar "toda a razão": " É fundamental limpar as florestas, porque são um grande recurso que temos de aproveitar no nosso país". "Quando fui ministro da Administração Interna tive a infelicidade de ver de perto as florestas a arder por falta de prevenção", disse.