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Legislativas 2015

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Marinho e Pinto. “É preciso afastar PS e PSD e chamar pessoas que tenham as mãos limpas”

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PAULO NOVAIS/ LUSA

Em Vila do Conde, onde falou de pescas, o presidente do PDR voltou ao caso BES: “Não é só o PSD que tem de dar explicações...”

Depois de um dia mais descansado, passado em casa, a curar as dores de garganta, Marinho e Pinto começou o dia na feira de Vila do Conde onde desde muito cedo a D. Adélia montou a banca de meias e cuecas para vender. “Marino e quê? Não, não sei quem é. Se vou votar?! Não sei, quem sabe é o meu marido. Ele é que vai-me dizer se vou votar e em quem”, revelou a cigana, enquanto o candidato passava à sua beira, acompanhado por uma pequena comitiva de boas vindas que vai acompanha-lo durante o dia.

“Tem canetas? E sacos?”, perguntava insistentemente uma senhora, enquanto o eurodeputado apressava o passo para chegar a horas ao compromisso seguinte: Caxinas.

O horário foi cumprido, mas o destino da comitiva não foi o que estava estipulado na agenda de campanha que o PDR envia diariamente aos jornalistas e...instalou-se a confusão. Entre telefonemas e divergências lá foi tudo parar à Associação Pró-maior Segurança dos homens do mar, onde Marinho e Pinto ouviu queixas, nomeadamente, sobre a necessidade de modernização da frota pesqueira, cujos barcos têm em média mais de 26 anos.

O advogado saiu da sala com um forte aplauso depois de prometer aos cerca de 30 pescadores presentes, levar a sua mensagem para o Parlamento Europeu. E foi mais longe: “Se tiver responsabilidades políticas depois do dia 4, virei cá com pessoas tecnicamente preparadas para estudar e discutir quais os meios de renovação da frota pesqueira, que foi praticamente destruída por políticas antipatrióticas”.

Verbas europeias foram “malbaratadas”

Já fora da associação reforçou que os sucessivos Governos desde 1985 receberam “quantias fabulosas” da União Europeia e que “grande parte dessas quantias foram malbaratadas em eleitoralismo, na compra de fidelidades politicas e mesmo nas areias da corrupção foram parar aos bolsos de muitos políticos corruptos. Só uma pequena parte dessas verbas foram utilizadas para os fins a que tinham sido atribuídas”, sublinhou.

Marinho e Pinto disse também que, enquanto deputado europeu, sobre esta matéria, deu o seu contributo ao introduzir no conceito de sustentabilidade “uma dimensão de qualidade”. E passou a explicar: “É preciso pescar com qualidade. É preciso que o peixe pescado nos oceanos e que é servido à mesa não venha contaminado com metais pesados, com mercúrio, com crómio, com cádmio, as vezes até com cianeto. Temos de envolver os pescadores na prevenção, na denuncia e no combate a pesca ilegal”.

Já fora do contexto das pescas, instado a comentar o levantamento do segredo de justiça no processo que envolve José Sócrates, o advogado diz que “é de saudar, ao fim deste tempo todo preso”. “É preciso que as pessoas que são detidas saibam exatamente os factos de que são acusadas para que possam defender-se. A justiça tem que garantir a todos esses passos, se não voltamos ao velho julgamento daquele nazareno de há dois mil anos, na Galileia, em que nem uma voz se ergueu para o defender”.

Antes de partir em caravana pelas ruas da Maia, Matosinhos, Porto e Gondomar, aproveitou para dar mais umas bicadas no PSD e PS ainda a propósito do caso BES. “Não é só o PSD que tem de dar explicações, também o PS se for honesto tem muita coisa a explicar dos compromissos e das negociatas que fez com o sistema financeiro. Com o BES, o ataque ao BCP, a utilização da CGD para tomar o BCP...”.

Empolgado com os microfones dos media apelou ao povo português para que “abra os olhos e afaste os dois” e concluiu: “A opção que se põe aos portugueses não é escolher ente o partido de Passos Coelho, Cavaco Silva, Dias Loureiro, Duarte Lima e Oliveira e Costa e o partido de Antonio Costa, Almeida Santos, Jorge Coelho, Pina Moura, Armando Vara. Não é. é afastar todos da vida política e chamar novos políticos, pessoas que tenham as mãos limpas”.