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Legislativas 2015

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Coligação dá mais argumentos para a maioria absoluta

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Luis Barra

Passos agitou o risco de instabilidade e novas eleições em 2016; Portas o perigo de uma maioria negativa de esquerda. Tinham seis mil a ouvi-los num mega-jantar

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotojornalista

Passos Coelho tinha anunciado de véspera que o jantar-comício desta sexta-feira, em Santa Maria da Feira, seria o “tiro de partida para a última semana de campanha e uma grande vitória”. Foi, pelo menos, o tiro de partida para uma nova fase da campanha do Portugal à Frente: a fase em que a questão, nos discursos, deixa de ser a vitória da coligação, para ser a necessidade de uma maioria absoluta. A confiança no triunfo sobre o PS tem-se instalado na caravana (também empurrada pelas sondagens), e a preocupação é lutar para alargar o fosso para o PS, com vista a PSD e CDS poderem continuar a governar a dois.

O número 1 da coligação nunca pronunciou as palavras “maioria absoluta”, mas explicou que não o faz porque não precisa de fazer. “Algum português tem dúvidas sobre o que significa ter uma maioria no Parlamento?” Os cerca de seis mil que o ouviam, no Europarque, não ficaram com dúvidas. Por alguma razão uma das palavras de ordem que se tem ouvido nas ações de rua é “maioria, maioria”.

Passos acrescentou uma nova razão para pedir este resultado, para “esclarecer com clareza porque é que a estabilidade é importante e porque razão precisamos de maioria para governar”.

Lembrou que António Costa, garantiu há dias que, caso o PS não ganhe as eleições, votará contra o Orçamento de Estado PSD/CDS, e explicou o que aconteceria caso a direita se fique por uma maioria relativa: com o Orçamento chumbado pelo PS, “o governo parava, por não ter um instrumento essencial para governar”; as agências de rating castigariam o país por não cumprir as metas e por não ter “condições para que o governo governe”; “todos os sacrifícios seriam desperdiçados”; e uma crise política séria uma questão de tempo.

Logo que passem os primeiros seis meses da legislatura - o período em que a lei não permite que o Presidente convoque eleições - “outra alternativa não existiria se não convocar outras eleições para os portugueses escolherem um governo que pudesse governar”, concluiu Passos.

Com uma agravante: se Costa ameaçou chumbar o Orçamento, também poderá chumbar, mesmo antes disso, o programa do Governo - uma previsão de Passos Coelho que coincide com a informação que faz a manchete do Expresso este sábado.

Portas alerta contra maiorias negativas

Antes do líder da coligação, falou o vice, numa espécie de aperitivo dos argumentos que Passos apresentaria. Paulo Portas, obviamente concertado com o parceiro de coligação, traçou mais ou menos o mesmo quadro, mas dito de outra forma.

Estabeleceu o contraste entre a coligação poder governar sozinha, com uma “maioria positiva, que garante um governo estável, que traz mais confiança, mais investimento e mais criação de emprego”.

Por oposição, colocou a hipótese de uma “maioria negativa” liberada pelos socialistas “PS, PC e Bloco nunca serão capazes de formar um governo estável, porque são contraditórios entre si, desde logo, sobre o euro e a União Europeia”, asseverou Portas. “Se não houver uma maioria positiva da coligação, Portugal ficará nas mãos de uma maioria negativa, de bota-abaixo.”

Para pensionistas, funcionários públicos e desempregados

A intervenção de Pedro Passos Coelho, que estabeleceu o essencial da mensagem para a última semana de campanha, dirigiu-se também diretamente a “todos os que em 2011 votaram no PSD e no CDS”. São os 50% de há quatro anos, que em parte se divorciaram destes dois partidos, mas que a coligação confia poder ainda reconquistar, pelo menos em parte.
Passos assumiu que nesses eleitores estão alguns dos que foram mais castigados pela austeridade: “pensionistas, funcionários públicos e desempregados”, que teriam “a expetativa que nestes quatro anos as coisas pudessem ser diferentes do que foram.” Mas “quem não gostaria que as coisas tivessem sido diferentes?”, questionou Passos.

A esses, “com muita humildade”, deixou uma garantia - que os sacrifícios “não foram em vão” - e um “compromisso”: estarão “na primeira linha da nossa preocupação agora que o país está a recuperar“.