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Legislativas 2015

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Uma praça deserta à espera de Passos

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Passos Coelho bem podia chegar a horas a Macedo de Cavaleiros que não teria receção nenhuma

Luís Barra

Depois do banho de multidão do Minho, Trás-os-Montes trouxe improviso à campanha do PàF entre Bragança e Macedo de Cavaleiros

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Às 11h da manhã desta quinta-feira, a praça central de Macedo de Cavaleiros, ao pé da Câmara Municipal, estava tão tranquila como em outro dia qualquer. A esplanada do café Maria da Fonte registava o pico de atividade visível: três homens numa mesa, um casal noutra. Perante o ar pachola de um GNR de bigode farfalhudo, não se via mais do que uma dezena de pessoas, por junto.

Era a hora marcada para a "receção na Praça Central" prevista na agenda de campanha de Pedro Passos Coelho, esta quinta-feira centrada nos distritos de Bragança e Vila Real. Mas Passos estava atrasado, no primeiro ponto da agenda, uma visita ao Politécnico de Bragança - e, em rigor, não tinha razões para se apressar a caminho daquela praça vazia. O candidato e primeiro-ministro bem podia chegar que não teria receção nenhuma. O contraste com a véspera, que registou o primeiro banho de multidão da campanha do Portugal à Frente, não podia ser maior.

Afinal, soube-se que a deslocação a Bragança, que devia ser uma rápida incursão pela instituição de ensino superior, ia acumulando novas etapas: um contacto com a população, que não estava previsto, um encontro com refugiados que estão na região, e ainda 15 minutos de declarações aos jornalistas sobre défice - embora a maioria deles estivesse à espera de Passos a 40 quilómetros de distância.

Em Macedo de Cavaleiros, as atenções já não estavam na praça deserta mas à porta da Misericórdia local, onde Passos deveria ter chegado pouco depois das 11h. Um grupo de homens engravatados esperava à porta do edifício. Outros dois iam colocando bandeiras da coligação no gradeamento em frente à Misericórdia, tentando dar um ar festivo à coisa. Metódicos, colocaram 24 bandeiras, e foram distribuindo as restantes a quem chegava, aos poucos. O carro de som com o hino do Portugal à Frente ajudava a chamar as atenções.

Ao mesmo tempo que iam chegando notícias da atividade de Passos em Bragança, a gente de Macedo de Cavaleiros ia contando cabeças, ainda na esperança de haver povo que chegasse para levar o candidato a primeiro-ministro por uma caminhada no centro da vila.

Passoa Coelho chegou às 12h40 mas nem passeou por Macedo de Cavaleiros, nem sequer visitou a Misericórdia. Pediu desculpa pelo atraso, prometeu "voltar noutra qualidade" (ou seja, como primeiro-ministro reeleito) e deixou umas curtas palavras a quem o esperou durante uma hora e 40 minutos: "As pessoas vêm ter connosco dizendo que não tem nada de errado apostar naquilo que já deu certo". E concluiu: "Estamos muito animados com o que estamos a sentir e a ver no país todo". E logo seguiu para o almoço agendado em Mirandela.

[Texto atualizado às 13h05]