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Legislativas 2015

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Portas ataca Costa, Passos apela ao diálogo

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Luís Barra

António Costa carregou no discurso contra a coligação e esta respondeu a duas vozes: Portas endureceu o tom, Passos apelou a consensos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Se António Costa radicaliza o discurso e sobe o tom contra a coligação, Pedro Passos Coelho dá a réplica com apelos a entendimentos pós-eleitorais. Foi o que aconteceu esta quinta-feira, ao almoço, horas depois de um dos discursos mais violentos desta campanha contra a coligação, protagonizado pelo secretário-geral socialista. Costa não ficou sem resposta às acusações que tinha deixado na véspera à "dupla de ilusionistas", a propósito dos números do défice - mas foi Paulo Portas, e não Passos Coelho, a fazer esse trabalho.

A divisão de tarefas continua a funcionar: Passos, num registo mais sereno, de estadista, Portas em estilo mais duro, de combate eleitoral. Em Mirandela, num almoço que deu, mais uma vez, prova da grande capacidade de mobilização das máquinas partidárias, a coligação respondeu ao discurso do líder socialista a duas vozes, mas, mais do que isso, em dois registos.

O primeiro foi Paulo Portas, diretamente visado por Costa, que lembrou a compra dos submarinos e ligou o líder do CDS aos seus "amigalhaços" do BPN. Portas não acusou o toque, mas não deixou sem troco a acusação lançada por Costa de que o Governo terá enganado os portugueses no caso do Novo Banco. O socialista negou que o efeito dessa operação seja um mero efeito contabilístico no défice de 2014 e considerou que o Governo mente quando jura que não será necessária mais austeridade para cumprir as metas acordas com Bruxelas.

Portas respondeu com o conforto que tinha chegado nessa manhã, justamente de Bruxelas: "Dr António Costa, o vice-presidente da Comissão Europeia acaba de o desmentir categoricamente ao referir que o impacto do Novo Banco é meramente estatístico, não tem efeito no défice de 2015 ou seguintes, não perturba o caminho de Portugal para sair do procedimento por défice excessivo e não precisa de nenhuma medida de austeridade para compensar".

E foi mais longe: "Dr António Costa, o senhor quis enganar os portugueses e isso é uma vergonha!"

Dialogar com todos

Depois do pau veio a cenoura. Passos Coelho não precisou de dirigir-se a Costa mas, com Portas na mira do líder socialista, fez questão de elogiar o parceiro, pela grande campanha que nos tem propiciado".

Depois veio a parte positiva do discurso da coligação. Para acentuar o contraste com o tom agreste que os socialistas tem adotado. A direita, disse Passos, está disposta " a dialogar com todos os partidos em Portugal que, tendo assento no parlamento, queiram ajudar a construir um Portugal melhor". Se Costa recusa conversas, Passos insiste nelas, qualquer que seja o cenário no dia 5 de outubro. "Não são os resultados das eleições" que vão mudar disposição de Passos, "aberto a estabelecer compromissos importantes" para as reformas de que o país precisa.

Desafiou os partidos da oposição a "deixarem de lado o insulto ou a insinuação" e pediu-lhes, sem nomear nenhum, que "sobretudo possam mostrar-se disponíveis para unir o país numa eleição que não é para este ou aquele partido, é uma eleição para o futuro de Portugal".

Agora, avisou o líder do Portugal à Frente, "é preciso ainda mais garra, ainda mais vontade, mais determinação, é preciso trabalhar ainda mais", pois, diz Passos, "cada vez mais somos mais nesta maratona".

Houve gritos de "vitória, vitória" e "maioria, maioria". Daí, Passos seguiu para Vila Pouca de Aguiar, Chaves e Valpaços, terras favoráveis onde havia a expectativa de novos banhos de multidão, à semelhança do que aconteceu na quarta-feira.