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Legislativas 2015

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“Os portugueses não vão pôr os ovos todos no mesmo cesto”

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Marcos Borga

O largo de Moura, no distrito de Beja, encheu. A CDU sabe que não conseguirá aumentar por aqui o número de deputados (que, aliás, é só um), mas não deixa de tentar. Jerónimo está “confiante” e afasta os agoirentos

Mal saiu do carro, o líder comunista distribuiu beijinhos e passou-bem a todos os ocupantes da esplanada do café Ideal. Um senhor aproximou-se para cumprimentar "o camarada". Mas também para desabafar: "Lá vão eles ganhar, não é verdade?". "Não vão nada!", responde de imediato Jerónimo. "Os portugueses não vão pôr os ovos todos no mesmo cesto."

O ambiente é favorável. O fim do dia está ameno. O apego ao PCP é grande por estas bandas. As gentes de Moura nunca deixaram ficar mal o partido nas urnas. Mas, na verdade, convém não arriscar.

"Até ao lavar dos cestos é vindima", dizia quarta-feira o camarada que encerrou o comício da noite. Jerónimo concorda. Sabe que a simpatia que a coligação desperta "nem sempre se transforma em votos". Como sabe que não se pode dar o voto dos camaradas por adquirido, até porque alguns estão velhos e cansados.

Como o senhor do café Ideal, há entre as hostes comunistas quem, ao fim de 40 anos de eleições, tenha perdido a fé de ver o partido no poder. No distrito de Beja, fazer melhor é uma miragem. O circulo elege três deputados e a CDU tem um garantido. Para eleger um segundo teria de obter mais do dobro da votação do segundo partido mais votado. E, digamos, por estas bandas ninguém acredita em milagres.

Marcos Borga