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Legislativas 2015

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No distrito de Passos o povo não faltou

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Luís Barra

Vila Pouca de Aguiar, Chaves e Valpaços aqueceram a caravana do PàF para o comício da noite em Vila Real. "Até os comemos!", gritou alguém na rua

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Texto

Jornalista da secção Política

Luís Barra

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Fotos

Fotojornalista

Foi uma tarde sempre a abrir para a caravana do Portugal à Frente. Vila Pouca de Aguiar, Chaves e Valpaços foram as três paragens no círculo de Vila Real, em crescendo para o comício da noite, a céu aberto, no centro da capital do distrito.

O dia começou com atrasos, descoordenação e o cancelamento do previsto encontro com a população em Macedo de Cavaleiros - à hora marcada não havia nem gente à espera, nem candidato, que se demorou por Bragança, onde foi ao encontro de apoiantes numa arruada improvisada. Mas a partir do almoço, em Mirandela, a máquina engrenou e povo não faltou.

Vila Real, o distrito onde Passos cresceu e sempre se candidatou a deputado (este ano é a exceção, por concorrer por Lisboa ao lado de Portas), não faltou ao filho adotivo da terra.

Primeira arruada da tarde: Vila Pouca de Aguiar. À espera de Passos e Portas uma multidão, muitas bandeiras ao alto, um grupo de música tradicional e até Assunção Esteves, natural do distrito. Passos subiu a um palco que estava montado na praça, para, sem microfone, falar às gentes. Depois, foi o mergulho nos apoiantes, os apertos, os beijos, as mulheres que lhe pespegam beijos e abraços, os homens que batem nas costas e apertam a mão ao primeiro-ministro. Um emigrante que viveu "30 anos em Lisboa e outros 30 na Suíça" garantiu-lhe que estava ali de propósito para votar em Passos.

O mercado das cebolas, que estava a decorrer mesmo ao lado, por pouco sobreviveu à onda de euforia que rodeava Passos Coelho. Portas confessava-se impressionado com "tanta gente num dia de semana."

Luís Barra

"Até os comemos!"

As imagens repetiram-se, logo a seguir, em Chaves. Ajuntamento no Largo do Anjo, que foi o ponto de partida para a descida da Rua Direita: muita gente atrás de Passos e Portas (mas aqui, mais do que em qualquer outro lugar, a estrela era o líder do PSD, não o do CDS), e muita gente na rua, encostada às paredes, à espera de poder cumprimentar o primeiro-ministro sem ser levada pela enxurrada de gente que ameaçava levar tudo à frente.

Às tantas, quando a comitiva passou por uma florista, foi preciso fazer um cordão de segurança para proteger as flores que estavam na rua. "Até os comemos!", gritou um homem. Uma mulher mais empolgada até tirou os óculos da cara do chefe da coligação quando o beijou.

É altura de pensar em maioria absoluta?, perguntam-lhe os jornalistas apesar da confusão. "Ainda temos muitos dias de campanha", respondeu Passos.

Luís Barra

"Resultado que não deixe dúvidas"

Diria mais qualquer coisa sobre a questão da maioria ao início da noite, já em Valpacos, onde voltou a haver um banho de povo, mas desta vez numa daquelas quintas usadas para festas de casamento. A chegada de Passos foi, mais uma vez, em clima de vitória. Depois das palavras de ordem e dos aplausos, entraram todos para o salão, para retemperar forças com carne assada e dobrada com feijão branco, e aliviar a secura com sumos e vinho.

Continuaram a fazê-lo mesmo durante os discursos. Os tabuleiros de Carne assada, dobrada, batata e arroz eram repostos a alto ritmo e as conversas dos convivas, a poucos metros do palco onde eram feitos os discursos, eram um ruído de fundo continuo. Quanto mais para o fundo da sala, maior era a algazarra. Assunção Esteves falava sobre "o desígnio da política" e "esta vontade indómita que sentimos", mas nem isso impressionava a metade da sala que estava atrás das câmaras de televisão.

Luís Barra

O ruído de fundo só diminuiu quando Passos discursou. Falou menos, para poupar a voz para o comício da noite, mas respondeu à questão da maioria absoluta com a cautela que se impõe a esta distância do dia do voto: "Cada vez mais gente nos diz que é preciso apontar alto no resultado das eleições (...) O que nos interessa é ter um resultado que não deixe dúvidas sobre quem o país quer para governar. O que nós queremos é que a estabilidade política esteja ao serviço não do Governo mas do país."