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Legislativas 2015

Legislativas 2015

Muitas oliveiras tem este país!

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Luís Ramos /Expresso

Oliveira do Hospital, do Bairro ou de Azeméis? Quem anda em campanha deve saber distingui-las, mas nem sempre é fácil, sobretudo depois de uma sesta rápida no carro. Foi o que aconteceu a Soares, que acabou por ter uma saída genial. A menos de duas semanas das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 20.º capítulo

Henrique Monteiro

Henrique Monteiro

Redator Principal

Se me perguntarem hoje em que terra foi, estou ainda mais baralhado do que Mário Soares estava na altura. Terá sido em Oliveira do Bairro? Oliveira do Hospital? Oliveira de Azeméis? Oliveira de Frades? Enfim, foi num sítio destes. Mas comecemos a história pelo princípio.

Mário Soares vinha com o seu carro, salvo erro, na altura, um espaçoso Citroën, conduzido pelo seu motorista Américo. Confiando na condução profissional, deixou-se, como também era seu hábito, adormecer. E foi nos braços de Morfeu que chegou a um largo onde estava montado um palanque e uma série de gente, com bandeiras do MASP (Movimento de Apoio Soares a Presidente) gritava: “Soares é fixe”, palavra de ordem inventada por um ex-dirigente da Juventude Centrista , de nome Adelino Vaz, que se passara para o campo soarista (apesar da candidatura da direita ser protagonizada por Freitas do Amaral). Uma das variações dessa palavra de ordem era mesmo “Soares é fixe e o Freitas que se lixe”, que derrotara claramente uma outra, também imaginativa que clamava “Uma bochecha mimosa no palácio cor-de-rosa” (recorde-se que a alcunha do Soares era ‘bochechas’).

Soares sai do carro, recém-acordado, mas sempre determinado, sobe ao palanque e diz: “Amigos de Oliveira do… (e agora entra a dúvida e eu conto a história que pode ter sido com outros nomes)… Hospital!”. Perante o seu espanto, o povo reunido vaia e assobia. O mandatário e mais alguns apoiantes tentam emendá-lo cá de baixo.

Mas pior foi a emenda do que o soneto. Soares retifica e diz: “Amigos de Oliveira do Bairro!”. Risada geral, também não era essa a terra. Até que um assessor do candidato se assoma e lhe diz, definitivamente, o nome da terra – imaginemos que Oliveira de Azeméis.

Soares não se desmancha:

“Amigos de Oliveira de Azeméis, muitas oliveiras tem este país e todas repletas de amigos que querem combater por um Portugal melhor. Contra o Portugal de outro Oliveira, o Oliveira Salazar, que destruiu este país e agora tem as forças que apoiam Freitas do Amaral a querer voltar ao passado”. (Isto é citado de memória e não ipsis verbis, mas Soares frisava sempre que Freitas era um democrata incapaz de controlar as forças que estavam por detrás dele).

Grande salva de palmas. Soares, que entrara sob apupos, saía em glória. Os apoiantes mais facciosos apostavam que ele fizera de propósito, mas isso é não conhecer a capacidade de improviso e a rapidez que o então futuro Presidente da República possuía.

  • Os nossos tesourinhos das campanhas

    Beijos em anões, mergulhos no Tejo, gafes, debates épicos, bolos-reis comidos à pressa, mais gafes, frases memoráveis, momentos embaraçosos e outros gloriosos. E, claro, muita política. Varremos tudo de forma pouco científica e puxámos pela memória de 40 anos de democracia. Durante o mês que antecedeu as legislativas, revisitámos diariamente as campanhas de outrora. Juntamos o resultado num único artigo

  • O efeito cherne na vida do Zé Manel

    Lembram-se de ouvir falar de Einhart da Paz? Foi o brasileiro responsável pelo marketing da campanha de Durão Barroso, aquela em que a mulher do candidato o comparou a um cherne. De um dia para o outro, Zé Manel cresceu cinco por cento no eleitorado feminino. A menos de duas semanas das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 19º capítulo

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  • A bomba de Cunhal

    Em 1991, Cunhal fez a sua última campanha eleitoral como secretário-geral do PCP. Nesse dias, o líder comunista nunca largou a sua pochette nem revelou o que levava lá dentro. A duas semanas das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 16º capítulo

  • Quando Cavaco Silva fez a cara mais estranha da nossa política

    Cavaco Silva corria para Belém pela segunda vez. Dez anos antes tinha perdido a eleição para Jorge Sampaio. A campanha acabou por ser um passeio para o antigo primeiro-ministro. Mas teve percalços. Santana Lopes, a quem Cavaco tinha ajudado a correr de S. Bento com o artigo no Expresso sobre “a má moeda”, diria na SIC Notícias que se o professor fosse eleito, era de esperar “sarilhos institucionais” com Sócrates, então primeiro-ministro. A duas semanas das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 15º capítulo

  • O golo de Vilarinho que lesionou Durão Barroso

    José Luís Arnaut levou o futebol para a campanha de Durão Barroso à boleia do Euro. E o Benfica tremeu. Vilarinho estampou-se em direto. A dívida fiscal do Benfica esteve em cima da mesa. E o Zé Manel chegou a primeiro-ministro. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 12º capítulo

  • No tempo em que os comícios de Sócrates tinham sabor a caril

    Não é novidade que em campanha eleitoral os partidos tentem sempre encher a sala. Mas o PS de Sócrates exagerou. Em Évora, na corrida de 2011, os turbantes que compunham a plateia deram nas vistas. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 11º capítulo

  • Quando Soares chocou com uma “alfaiataria” das novas

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  • Quando a lota matou o candidato

    Nove de junho de 2004: a três dias do início do Euro de futebol e a quatro das eleições europeias, a trágica morte em plena campanha de Sousa Franco, cabeça de lista do PS, chocou o país. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o oitavo capítulo

  • Quando Soares confundiu o CDS com o PP e Ribeiro e Castro com o PS

    A última campanha presidencial de Mário Soares foi uma prova para o candidato, mas também para os jornalistas. Houve momentos de grande confusão e este foi seguramente o mais confuso de todos. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o sétimo capítulo

  • Quando Sampaio defendeu a honra de Cavaco e calou um apoiante

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    António Guterres é provavelmente o político mais dotado em televisão que vimos em muitos anos. Ao pé dele, mesmo Paulo Portas ou Francisco Louçã eram “apenas” bons. Guterres tinha tanta confiança nos debates parlamentares e televisivos que mudou as suas regras para sempre. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o quinto capítulo

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  • O carnaval de Santana

    Uma campanha que parou ao segundo dia e uma inesperada visita a São Bento, com Santana a oferecer chás e cafés. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o terceiro capítulo

  • E Soares beijou o anão…

    Depois de o Expresso ter publicado em três etapas a retrospetiva dos melhores debates televisivos em Portugal, agora prossegue com uma nova série: histórias de campanha. A um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o segundo capítulo

  • “Consigo ainda dava uma cambalhota!”

    Depois de o Expresso ter publicado em três etapas a retrospetiva dos melhores debates televisivos em Portugal, agora arranca com uma nova série: histórias de campanha. A um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 1)

    Soares vs Cunhal, cigarros e mais cigarros, Soares contra Zenha, Freitas e Soares numa eleição épica e, claro, o célebre dia em que Marcelo, o rei da comunicação, perdeu o pio frente a Sampaio e lhe entregou a Câmara de Lisboa numa bandeja. Os nossos debates televisivos têm muito que contar. Por isso, puxámos da nossa memória seletiva e contamos tudo. Primeira etapa de uma viagem que continua nos próximos dias

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 2)

    Nesta etapa há de tudo: do violento Basílio vs. Soares de 1991 ao debate que Jerónimo venceu por estar... afónico. Pelo meio, temos o importante Guterres/Nogueira, a vez em que o primeiro-ministro Guterres quis fazer debates sucessivos contra todos e o único confronto entre os irmãos Paulo e Miguel Portas. Quase no fim, a inequecível noite em que Santana e Sócrates se enfrentaram. Segunda etapa de uma viagem que terá ainda um terceiro e último capítulo

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 3)

    Lembra-se de quando Carrilho deixou Carmona de mão estendida? E da noite em que Soares e Alegre se enfrentaram num estúdio televisivo? Neste artigo lembramos esses debates, mais o Cavaco/Alegre e dois dos melhores dos últimos anos: Sócrates contra Louçã em 2009 e o Passos vs. Sócrates em 2011. Terceira e última etapa da nossa viagem aos melhores debates televisvos em Portugal