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Legislativas 2015

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Jerónimo desafia reformados a fazerem prova de vida

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Jerónimo falou para uma plateia contituída essencialmante por reformados e idosos, velhos militantes comunistas e pensionistas

Marcos Borga

Se “eles” (PSD, CDS e PS) tratam os reformados “como uma despesa, como um encargo”, diz o líder comunista que há que usar “esse instrumento importante que vocês têm na mão: o voto para julgar quem arruinou as vossas vidas”

O líder comunista veio a Beja almoçar com reformados e dizer-lhes que a luta tem mesmo que continuar. "Vocês não estão mortos, não são inúteis", por isso "são de novo chamados a assumir as vossas responsabilidades". Leia-se: vão votar na CDU.

O "parque de viaturas 2" dos Bombeiros Voluntários de Beja estava cheio quando Jerónimo de Sousa chegou. Cheio de reformados e idosos, de velhos militantes comunistas, de pensionistas. Eram eles o centro da primeira iniciativa de campanha do dia. Foram convocados e não faltaram à chamada.

Jerónimo conhece bem os cantos à casa e faz questão de o sublinhar. "Sei bem para quem estou a falar. Sei bem do vosso combate, da vossa vida e da vossa luta. Sabemos disso tudo", disse. O distrito sempre conseguiu um dos três deputados a que Beja tem direito. Desta vez, não será exceção e João Ramos lá regressará aos bancos da Assembleia da República para novo mandato.

O problema, aqui, não é a falta de militância. Mas sim o risco de falta de comparência. Por isso, Jerónimo puxa dos argumentos que mais interessam a uma plateia de idosos: os cortes de pensões, as reformas da Segurança Social, as propostas dos partidos do arco da governação. O líder do PCP mete tudo no mesmo saco. "As semelhanças são mais do que as diferenças entre PS, PSD e CDS nesta matéria" e por isso há que tratar todos por igual.

"Este é o momento de os julgar", explica Jerónimo. "Seria contraditório, seria um voto contra vocês próprios se votassem por aqueles que vos colocaram na situação onde vos encontram agora". A lógica não pode ser uma batata, como a idade não pode servir de desculpa. Se "eles" tratam os reformados "com uma despesa, como um encargo", há que usar "esse instrumento importante que vocês têm na mão: o voto para julgar quem arruinou as vossas vidas".

Os militantes alentejanos podem estar velhos, mas ainda reagem a um desafio. Jerónimo espicaça a velha alma de combatente. "Vocês não estão mortos, não são inúteis, não são um peso", diz no final do discurso e antes mesmo de os desafiar a ir às urnas mostrar que ainda fazem a diferença.