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Legislativas 2015

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Jerónimo animado: “Seria preciso recuar décadas para encontrar um comício assim”

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Marcos Borga

O auditório Vilafranquense encheu. Mal chegou ao palco, Jerónimo de Sousa garantiu que há “muitas décadas” que a CDU não conseguia um feito destes. Mesmo assim, é preciso não dormir na forma. Ainda é preciso “dar muito ao dedo e à perna até dia 4”

O líder comunista não escondeu a satisfação de ver a casa bem cheia, em Vila Franca. O público, que enchia por completo o auditório da terra na noite de quarta-feira, aplaudiu com entusiasmo. Mas Jerónimo de Sousa não lhes deu tréguas. "Nem pensem que podem sair daqui confortados por termos feito um grande comício", disse, avisando que "ainda há muito voto a ganhar para pôr a CDU a crescer e a avançar".

A campanha corre bem, o apoio de rua é constante, as iniciativas estão sempre muito bem compostas. Jerónimo está satisfeito, mas sabe que "nem sempre a simpatia que se dedica à CDU se transforma em votos". E sabe mais. Sabe que fala para uma plateia de convencidos e que a única hipótese de um crescimento eleitoral é transformar cada militante num apóstolo. A cada um dos presentes, o líder atribui uma tarefa: de converter, isto é, de convencer "um amigo, um familiar, um colega" das virtudes no voto da CDU.

O terreno é favorável, tal como as sondagens que, na primeira semana de campanha, apontam para uma ligeira, mas contínua, progressão das intenções de voto na CDU. Os últimos dados do INE e a confirmação de uma derrapagem do défice de 2015, deram gás aos argumentos que os comunistas têm usado nos últimos quatro anos. Os sacrifícios e a austeridade, dizia e repetia Jerónimo, não serviam para controlar as contas públicas.

Marcos Borga

Os números oficiais servem-lhe para ajustar contas. "Tanta carga de imposto, tanto salário cortado, tanta pensão roubada e para onde foi o dinheiro?", questiona. "Nunca havia dinheiro para nada, mas há sempre dinheiro para a banca e para o grande capital", conclui.

Na assistência, maioritariamente composta por reformados, o argumento vai direito ao coração. Como cai fundo o discurso terra a terra de Jerónimo, sem gráficos complicados e explicações técnicas."Não precisamos cá de estatísticas para perceber a situação, porque a conhecemos de perto", diz, e o público aplaude. "Nunca me explicaram com base em que ciência económica o meu país precisa de um défice zero". E o público gosta e aplaude mais. E quando começa a falar de pensões, acaba logo com a complicada questão da condição de recurso. "Os nomes que eles inventam!", desabafa o líder e passa à frente.

O povo gosta de o ouvir. É para ele que Jerónimo fala. E afinal é quem mais ordena e o comicio não podia rematar da melhor forma, senão com uma quadra popular... De António Aleixo.