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Legislativas 2015

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Catarina Martins: “A Comissão Europeia entrou na campanha eleitoral”

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Catarina Martins durante a descida da Rua Morais Soares em Lisboa

Nuno Botelho

Bloco de Esquerda continua a avivar a fornalha do défice. E acusa Bruxelas, que disse esta quinta-feira estar afastada a necessidade de mais medidas de austeridade, de tomar posição porque “vê os partidos da austeridade aflitos na campanha eleitoral”

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

Catarina Martins, a porta-voz do Bloco de Esquerda, considera "verdadeiramente inaceitável" que as instituições europeias tenham declarado esta quinta-feira que estão afastadas mais medidas de austeridade, para fazer face ao défice de 2014 (oficialmente fixado esta quarta-feira em 7,2% do PIB). "Hoje, a Comissão Europeia decidiu entrar na campanha eleitoral em Portugal", afirmou no final de uma descida da Rua Morais Soares, em Lisboa, que os bloquistas realizaram pela hora de almoço.

"A Comissão Europeia vem dizer que quando é para dar mais dinheiro à finança pode ser sempre. Quando é para as pensões, para os salários, para a saúde, para a educação, aí nenhuma décima do défice podia resvalar. Quando é para o sistema financeiro, a Comissão Europeia vem dizer que afinal [o défice] já não conta", disse a líder do BE.

Para Catarina Martins, Bruxelas intervém agora porque "vê que os partidos da austeridade estão aflitos na campanha eleitoral. [Por isso] decide dizer que não conta". "Se o buraco do Novo Banco fosse para ser pago pela banca, ele estaria inscrito nas contas dos bancos. Depois das eleições, quando vier a fatura, vamos ouvir dizer que é preciso tomar medidas adicionais de austeridade para corrigir o desvio do défice. E já ouvimos esta história tantas vezes", afirmou.

O agravamento do défice "é uma conta que os contribuintes terão de pagar", sublinhou Catarina Martins.

Empurrar o PS para a direita

No final do desfile pela Rua Morais Soares, em que esteve acompanhada pela cabeça de lista do BE por Lisboa, Mariana Mortágua, Catarina Martins voltou a colocar o PS no campo dos partidos que defendem a austeridade (como o fizera de resto na véspera, no comício realizado no Largo do Intendente).

"PSD, CDS e também o PS comprometeram-se com metas do défice que vão exigir mais cortes para serem cumpridas", disse.

Sobre uma das explicações dadas na quarta-feira por Passos Coelho para apresentar como positivos os números do défice, de que o dinheiro até estaria a render "juros", Catarina considerou tratar-se de uma ideia "ridícula e estapafúrdia". Se isso fosse verdade, acrescentou a líder do Bloco, "então o nosso país queria ter défices de 20, 30 ou 40% para resolver o problema das contas públicas".

A realidade é bem diferente, segundo a porta-voz do Bloco: "Em seis anos salvámos seis bancos com dinheiro dos contribuintes. Ou se põe a finança no lugar, ou o nosso país continuará a ser verdadeiramente assaltado por um sistema financeiro", disse.

Apoios sérios à infância

A arruada foi a segunda iniciativa de campanha de Catarina Martins nesta quinta-feira. A jornada teve início de manhã, com uma visita à Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.

No final de uma reunião de uma hora à porta fechada com o conselho de administração e diretores de serviço da matermidade, Catarina disse aos jornalistas que Portugal tem dois problemas demográficos: "Uma taxa de natalidade que tem vindo a descer e o problema da emigração, que tira do país a população ativa que é também a população em idade de ter filhos".

Para Catarina Martins, ainda citada pela Lusa, Portugal precisa de "apoios à infância a sério. As creches em Portugal são mais caras do que as propinas da universidade. Precisamos de creches públicas, é preciso apoio, não podemos ter as crianças de quatro anos a pagar o mesmo passe de autocarro de um adulto, precisamos de abono família".