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Legislativas 2015

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CDU recusa entrar no “caldeirão”

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Marcos Borga

A união que Passos pediu dá “urticária” a Jerónimo de Sousa. CDU põe-se de fora de combinações partidárias porque “esta política de direita, mesmo enxertada, nunca dará uma alternativa de esquerda”

Em terra de agricultores, fale-se uma linguagem terra-a-terra. Assim fez Jerónimo de Sousa, num jantar comício em Serpa. A ideia era mostrar que a CDU não se pode entender com PSD, nem com CDS, nem com o PS. “Uma figueira, mesmo enxertada de macieira, nunca dá maçãs”, disse o líder comunista. Como podia um partido anti-troika e defensor de “uma política patriótica e de esquerda”, mudar assim de repente?

“Passos Coelho disse uma coisa na qual nem ele acredita”, disse Jerónimo. A ideia de uma “união entre todos os partidos” é “uma coisa que nos provoca urticária”. Mas que, mesmo com alergia, “merece uma resposta”. O povo de Serpa ouviu-a em primeira mão: “vocês sabem que podem contar com a CDU, mas nem pensem que vamos servir de sustentáculos integrando um caldeirão de políticas de direita”.

Promessa feita, assunto encerrado. O líder do PCP passou ao contra-ataque aos partidos do arco da governabilidade. Desta vez, foi o ordenamento do território, as assimetrias regionais e a desertificação que serviram de arma de arremesso. A CDU aponta o dedo aos sucessivos erros, dos sucessivos governos, que deixaram o país cada vez mais desequilibrado. “Uma das mentiras mais repetidas pela coligação de direita são as reiteradas declarações de amor ao interior”, diz Jerónimo, para quem isso é apenas “música para os ouvidos” ou “promessas que se desfazem logo que chegam ao Governo”.

O comício teve antes a intervenção de João Ramos, o único deputado eleito pelo distrito de Beja e cabeça de lista às próximas eleições. E de Heloísa Apolónia, a líder dos Verdes que veio, na noite desta quinta-feira, dar uma contribuição para a campanha da CDU.

Marcos Borga