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Legislativas 2015

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BE quer saber que “novas medidas de austeridades” escondem PSD, CDS e PS

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Nuno Botelho

No primeiro comício do Bloco de Esquerda após ser conhecido o défice de 2014, Catarina Martins fala dos “lesados do Bloco Central” e encosta mais o PS à direita. “O que nos estarão a preparar os partidos para os quais o défice é medida de todas as coisas?”

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Fotojornalista

”A data de 23 de setembro marca uma “viragem na campanha”, afirmou a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, no comício realizado em Lisboa, no Largo do Intendente. Foi a primeira sessão pública do BE após serem conhecidos os valores do défice de 2014 (7,2% do PIB) e do primeiro semestre de deste ano (4,7%, em vez dos estimados 2,7% para o total do ano).

“É o dia em que é oficial que o défice de 2014 é exatamente o mesmo de 2011”, afirmou Catarina Martins. “Depois de tanto sacrifício, chegou a prova do algodão. O programa eleitoral da direita morreu”, sublinhou a porta-voz dos bloquistas.

Se na confirmação dos números do défice há para Catarina Martins uma “viragem” na campanha, nas palavras da líder do Bloco, a par da reiterada responsabilização do PSD e do CDS, notou-se um esforço notório para encostar o PS ao atual Executivo.

Catarina Martins dirige-se em primeiro lugar aos partidos do Governo. “Que medidas de austeridade tem a direita no bolso?", pergunta. O que nos preparam, o que nos escondem?", prossegue.

De seguida, é lesta a lançar o anzol em águas socialistas. “O PS que em Bruxelas se compromete com as mesmas metas do défice, que medidas de austeridade está a preparar para o país?”, perguntou Catarina Martins. “Podemos nós confiar num PS que para cumprir o défice já propunha reduzir pensões em 1660 milhões de euros?”, insiste Catarina Martins.

No primeiro comício realizado em Lisboa durante o período oficial de campanha (o próximo será no domingo, embora nesta quinta-feira haja uma arruada na capital), o BE vem cavar uma fronteira mais nítida em relação aos socialistas.

Prova dessa evolução do discurso é o facto de Catarina Martins, um dia após Marisa Matias ter enunciado pela primeira vez em Leiria a fórmula dos “lesados e indignados do PSD (e do CDS)” - num tentativa evidente de captar o voto de descontentes com esses partidos -, ter falado agora no Largo do Intendente dos “lesados do centrão”.

Para a líder do Bloco, dirigindo-se noutro momento aos “lesados do PSD, CDS e PS” - os que “trabalharam toda vida e viram as suas pensões cortadas”, ou os “jovens empurrados para estágios temporários e que se viram obrigados a emigrar” -, está na “hora de ajustar contas” com estes últimos partidos.

No comício do Bloco, foram também oradores, entre outros, a primeira candidata por Lisboa, Mariana Mortágua, e o terceiro elemento da lista na capital, Jorge Costa, a quem coube iniciar os discurso. Costa elegeu os “dois principais inimigos” do Bloco até às eleições: “o voto útil” e a “desilusão”. E deu o mote para o que seria a intervenção final de Catarina Martins (com os socialistas em ponto de mira). “Esse PS que na hora H estava a fazer os acordos de gabinete patrocinados por Cavaco Silva, que permitiram manter no poder Pedro Passos Coelho e Paulo Portas”, disse Jorge Costa.

A campanha do Bloco de Esquerda com a presença de Catarina Martins anda na quinta-feira por Lisboa, terminando à noite com uma churrascada em Setúbal. Na sexta-feira desce ao Algarve.

  • Bloco entre dois metros, o do Mondego e o do Sul do Tejo

    No mercado de Miranda do Corvo, Catarina Martins apelou ao voto de “pais e avós” dos que emigram. Num concelho que perdeu o comboio e não ganhou o metro do Mondego, a candidata do Bloco colocou os transportes na agenda do dia na manhã desta quarta-feira. Repetiria o percurso e o discurso à tarde, à boleia do Metro Sul do Tejo, entre Cacilhas e Corroios