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Legislativas 2015

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Resultados do défice dão alento ao PS

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Rui Duarte Silva

Socialistas reagem aos novos dados do défice divulgados pelo INE - 7,2% em 2014, devido ao Novo Banco - e questionam o Governo, que acusam de incompetência: “De que valeram todos os sacrifícios?”. Costa responde: “Fracassaram os objetivos, não merecem confiança”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Os resultados divulgados esta quarta-feira pelo INE - o défice do primeiro semestre deste ano foi de 4,7% e, devido ao adiamento da venda do Novo Banco, o défice de 2014 será de 7,2% e não de 4,5%, comprometendo os 2,7% que o Governo tinha adiantado para este ano - foram uma benção para o PS.

Em plena campanha eleitoral, a direção do partido vê nestes dados a possibilidade de explorar em seu favor os dados, acusando o Governo de incompetência e Passos Coelho em particular de má gestão.

Em Aveiro, onde está a cumprir mais uma etapa do seu percurso pelo país, António Costa fez boa dupla com Pedro Nuno Santos, o cabeça de lista pelo distrito, no ataque à dita incompetência do Governo, que, segundo as suas próprias palavras, "falhou todas as metas a que se propôs". Com o défice alterado em 2014, o deputado considera que o resultado pode repercutir-se também no deste ano.

"De que valeram todos os sacrifícios?", perguntava esta quarta-feira Pedro Nuno Santos, num almoço com apoiantes. "Não, não valeu a pena", respondeu ele próprio.

Criticando a justificação do primeiro-ministro, que fala em "efeito estatístico", o candidato a deputado perguntava: "a culpa do Novo Banco não ter sido vendido cabe aos que emigraram, aos que perderam o emprego, a pensão, às crianças que perderam o abono? Não", respondeu mais uma vez ele próprio.

"Esconderam o problema do BES enquanto lhes interessou para garantir uma saída limpa e esconderam o que nos iria acontecer depois da saída limpa e da resolução (que determinou a liquidação do BES)", disse ainda Pedro Nuno Santos, acusando o primeiro-ministro de "descaramento" e de se esconder atrás de outros para esconder os seus fracassos.

À catilinária de Pedro Nuno não escapou também Paulo Portas, apelidado de "sniper pessoal" de Passos Coelho, que já não pode candidatar-se por Aveiro porque "aqui já não engana ninguém", segundo disse.

"É a batalha das nossas vidas, porque há recuos difíceis de reverter e o ataque que está a ser feito ao estado social pode ser irremediável", afirmou. E terá consequências gravosas naquela que foi a maior construção que nós em comunidade conseguimos, disse ainda o candidato, para quem, desta vez, o PS "não tem o direito de falhar - é a liberdade para todos que está em causa nesta campanha".

Novo défice não altera programa do PS

Rui Duarte Silva

A António Costa, que falou seguidamente, só lhe competiu seguir o mote, carregando nas ideias já enunciadas por Pedro Nuno Santos: este Governo não merece confiança, falhou todas as metas do défice e da dívida e o seu programa, baseado no Programa de Estabilidade apresentado em Bruxelas, está ferido de morte.

"Em 2011 tinham proposto chegar a 2015 com uma dívida pública de 105% do PIB e ela está em 130%", disse Costa: "Fracassaram os objetivos, não merecem confiança".

"Agora está absolutamente claro que as contas do programa de estabilidade assentaram numa ficção", alertou ainda o secretário-geral, interrogando-se se "com aquelas contas já tinham que cortar 600 milhões, como será no futuro?".

Em contraponto, elogiou as vantagens do programa do PS, "feitas com prudência e sem esperar por milagres. Não temos de alterar em nada o nosso programa, que tem as contas feitas, sem aventuras nem fantasias", garantiu.

"Temos uma previsão do serviço da dívida que conforta este resultado e por isso, apesar deste fracasso do Governo, o programa mantém-se sólido e de confiança", afirmou Costa.

De acordo com o programa socialista, a meta da dívida para 2019 está considerada em 117% do PIB. O Governo previa chegar ao mesmo ano com apenas 107%.

Rui Duarte Silva