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Legislativas 2015

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Passos saiu, Portas pegou no leme e rumou ao mar

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Luís Barra

Com Passos em Bruxelas numa cimeira, Portas ficou por uma tarde à frente da campanha. Foi como um regresso ao passado, quando era ministro do mar

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotos

Fotojornalista

Numa campanha assombrada pelo passado - seja o passado de Sócrates, seja o passado das promessas eleitorais que PSD e CDS fizeram - foi como se, por uma tarde, andássemos ainda mais para trás no tempo. Até 2004, quando Paulo Portas, para seu próprio espanto, ocupou o cargo de ministro do Mar. Foi o mar que ocupou a tarde de campanha, esta quarta-feira, durante as poucas horas em que Portas ficou, literalmente, ao leme da campanha da coligação.

Pedro Passos Coelho voou até Bruxelas, para a cimeira sobre os refugiados, e Portas, como número um em funções, rumou aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, para ver ao vivo o trabalho em curso, e ao porto de Vila Praia de Âncora, para falar com pescadores. Em ambos os casos, os governos de Sócrates ficaram com as orelhas a arder, pois pairaram sempre - explícitas ou implícitas - críticas ao Executivo socialista. Depois, a fechar o dia de campanha passado no distrito de Viana do Castelo, ainda teve um encontro com empresários, mas à porta fechada.

Nos Estaleiros Navais, Portas percorreu rapidamente o recinto, distribuiu uns apertos de mão a trabalhadores que nunca se mostraram especialmente amistosos, entrou num navio que está em construção e não ouviu um dos operários a deixar uma farpa à comitiva: "Como é que o país vai andar para a frente com estes aqui a atrapalhar?".

Depois de feitas as imagens, o líder do CDS fez a declaração da praxe aos jornalistas. De capacete sempre na cabeça, e milimetricamente colocado onde tivesse como cenário das imagens televisivas o navio em construção. Falou em "emoção", pois em 2004 recebeu a tutela dos estaleiros "em falência técnica" e comprometeu-se a não os deixar fechar. Depois, com os socialistas, os estaleiros "correram risco de vida" e, já com este governo, "estão vivos, estão com trabalho e estão com trabalhadores".

O plano de despedimentos tinha sido "aprovado pelo anterior governo", e depois de toda a polémica provocada pela concessão dos estaleiros a privados, já com este Executivo, Portas elogiou o seu colega Aguiar-Branco: "Estava certo quando defendeu a concessão e não deixou fechar".

Luís Barra

Garantia reafirmada sobre o défice

Sobre o assunto do dia - o mais do que provável incumprimento do défice este ano, depois do apuramento de 4,6% no primeiro semestre, anunciado pelo INE - Portas não se desviou um milímetro da garantia que havia sido dada de manhã por Passos: a garantia de que a meta de 2,7% para este ano será cumprida, "sem medidas adicionais". Como? Não explicou e arrancou para a paragem seguinte.

Nova etapa, novo adereço: em vez do capacete, o chapéu que serve para a agricultura, mas também, viu-se, para os assuntos do mar. No Portinho de Vila Praia de Âncora houve uma paragem rápida para ver o dito porto, perceber problemas com as correntes, com o assoreamento e com as dunas.

Um toque grego, mas agora mitológico

E nós com isso?, perguntará o leitor. O Portinho, percebeu-se então, é um problema à vista com Sócrates escondido. É que foi no Governo socialista que a construção foi feita e, segundo o presidente da associação de pescadores locais, "foi mal feita porque não nos ouviram. Agora, está aqui o dinheiro investido e é preciso gastar mais".

"É o vício de Penélope, fazer para desfazer", comentou Portas, introduzindo, assim, nesta campanha, que tem sido tão marcada pela questão da Grécia, um oportuno toque de mitologia clássica.

  • “Começa aqui a maioria absoluta”

    Foi preciso Passos chegar ao Minho para ter o primeiro banho de multidão da campanha. Foi levantado em ombros, mas também ouviu queixas de lesados do BES e de desempregados