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Legislativas 2015

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Dias do avesso: Passos em ombros e a esquerda agarrada ao défice

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Esta quarta-feira, a esquerda veio mostrar afeto pelo défice, Passos Coelho teve um banho de multidão no Minho e a fratura no PS ficou exposta. O socialista Pedro Nuno Santos deu um grito de alerta: “Esta é a batalha das nossas vidas”. Mas Costa está com problemas de voz. E a direita está à frente nas sondagens. A campanha soma e segue

Luís Barra

Luís Barra

Fotojornalista

O dia começou com números do INE sobre o défice de 2014: por causa do Novo Banco, o défice do ano passado subiu para 7,2 e a esquerda, esta quarta-feira, não quis falar de outra coisa. Do PS ao Livre, passando por Marinho e Pinto, as manifestações de afeto da oposição pelo rigor no défice público tomaram conta do dia. Passos Coelho, que andou em ombros pelo Minho, antes de partir para Bruxelas, para um Conselho Europeu sobre refugiados, ensaiou a saída airosa: quanto mais tempo demorar a venda do NB, mais juros o Governo arrecada - “O dinheiro (que emprestaram ao Fundo de Resolução) está a render”, disse. Quando se está à frente nas sondagens tudo parece mais fácil.

“Fracassaram. De que valem todos os sacrifícios?”, perguntou António Costa, por terra de Aveiro. O líder socialista está com a voz a fraquejar e teve ontem um dia sem gente em Viseu, mas esta quarta-feira foi buscar alento ao défice aumentado: "A culpa do Novo Banco não ter sido vendido cabe aos que emigraram, aos que perderam o emprego e a pensão, às crianças que perderam o abono? Não". Pedro Nuno Santos, rosto do PS em Aveiro, dramatizou severamente: “há recuos difíceis de reverter e o ataque ao Estado social pode ser irreversível. Esta é a batalha das nossas vidas”.

O pior é que a batalha dentro do PS começa a mexer. Manchete de de quarta do jornal i: uma entrevista de Eurico Brilhante Dias com a frase assassina - “teria gostado mais de António José Seguro como candidato a primeiro-ministro”. Expor fraturas a meio de uma campanha não é um bom sinal.

Marcos Borga

Jerónimo de Sousa, um político com os pés na terra, também se agarrou aos novos números do défice, mas foi sincero: “Não sei se isto influencia o voto”. Para os comunistas não há dúvidas: “os quatro anos de saque ao povo” acabaram, afinal “num desastre”. E a tese tomou conta das caravanas da oposição. Catarina Martins, a líder do BE que anda em alta nos media, já tinha antecipado ontem à noite: “Hoje [quarta-feira], vai ser dia de Passos Coelho prestar contas pelos quatro anos de empobrecimento do país”. Esta quarta-feira deu a estocada: “A campanha da direita acaba hoje (hoje, com Passos em ombros?)”. Mas Catarina tem dois desamores: Passos Coelho e António Costa. “Ainda não ouvimos uma palavra ao PS sobre como pôr o sistema financeiro na ordem”. O BE não dá tréguas ao voto útil.

Na Golegã, Marinho e Pinto, do PDR, juntou-se ao coro do défice: “Tem havido sempre maquilhagem. Isto é fruto da filosofia de casino da nossa economia”. E nos Açores, Rui Tavares, do Livre, denunciou a “volta ao inferno que nos obrigaram a dar para ficarmos pior”.

Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque continuam a dizer que o défice deste ano fica abaixo dos 3% (a derrapagem de 2014 não tem efeito neste ano, o que permite ao primeiro-ministro dizer que é uma questão “contabilística”) e essa, para o Governo, é a meta que conta. A confiança nas hostes da coligação Portugal à Frente é tal que começa a tornar-se mais difícil desnorteá-los.

Ontem à noite, no Barreiro, o trio que há dois anos parecia improvável num foto de família (Passos, Portas e Maria Luís) exibiu coesão para dar e vender, com Paulo Portas a elogiar a ministra das Finanças que chegou a querer vetar e Passos Coelho a dizer-se “muito tranquilo com o julgamento que as pessoas vão fazer”.

Depois duma semana de campanha protegida, com visitas recatadas e pouca rua, a direita rumou ao norte e, em Arcos de Valdevez, Passos teve o primeiro banho de multidão. Nos bastidores da maratona já dizem que “é a partida para a maioria absoluta”. Esta quarta-feira, às 20h00, há mais sondagens diárias.