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Legislativas 2015

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Descoordenação entre PCP e Verdes interrompe campanha

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CANSAÇO. O líder nega estar cansado, mas o desgaste de uma pré-campanha, a falta de férias e os 68 anos de atividade intensa, fazem mossa

MARCOS BORGA

Ao quarto dia, a campanha eleitoral da CDU fez uma pausa forçada. Durante a manhã desta quarta-feira, Heloísa Apolónia devia substituir Jerónimo de Sousa no terreno. Mas não apareceu. A número dois da coligação de esquerda cancelou a única ação em que era a protagonista. Os parceiros de coligação sacodem responsabilidades. E Jerónimo volta a salvar a honra do convento

O programa oficial era claro. Durante a manhã do quarto dia de campanha eleitoral da CDU, a bola passava para a líder dos Verdes. Heloísa Apolónia estaria, às 9h30, na Rua Luís Ataíde, em Alhos Vedros, para um “contacto com a população”. Não estava. À hora marcada, a pequena rua da zona nova da pequena freguesia estava deserta. O café “rapa o tacho” estava fechado. A moradora do número 20 entre-abre a porta aos jornalistas, mas não sabe nada, nem de campanha, nem de Heloísa, que aliás, não conhece nem sabe “quem é”.

Corália chega a conduzir o seu velho carro. Também nunca ouviu falar em campanha por aquelas bandas. “Por aqui não há nada. Isso é coisa do PCP” e trata de encaminhar o Expresso para o centro da vila.
Passa a hora marcada e o mal entendido não é esclarecido. O gabinete de comunicação da CDU “não sabe o que se passa”. Heloísa Apolónia não atende o telefone. A assessora dos Verdes diz que o Expresso “tem de perguntar ao gabinete de imprensa da CDU, que foi quem fez a divulgação”.

Ninguém percebe, nem sabe explicar. O gabinete central de comunicação da CDU contínua sem ser informado de qualquer alteração ao programa da campanha. Os Verdes acabam por admitir que a líder está a preparar “a sua ida aos Gato Fedorento”, prevista para esta noite na TVI. Duas horas mais tarde, é Heloísa Apolónia a esclarecer o “equívoco” e a pedir desculpas. Um problema de saúde com um familiar obrigou-a cancelar a iniciativa. A assessoria de Imprensa quis poupá-la “à exposição da vida familiar” e deu uma desculpa “surreal”, diz Heloísa.

No centro de Alhos Vedros, um carro com um altifalante, cinco militantes do PCP e outras tantas bandeiras, fazem a campanha porta a porta. À hora marcada, estão na rua Dinis Ataíde, onde é a sede do centro de trabalho comunista. “Deve ter havido uma troca do nome da rua”, diz José Ribeiro, “esta chama-se Dinis. A outra Luís. E por acaso é lá que eu moro”. Tudo mais claro, mas sempre sem a candidata. É a vida. A luta continua.

Menos Jerónimo

Heloísa falhou a agenda da campanha que, aliás, está longe de ser demasiado preenchida nesta corrida das legislativas. Jerónimo de Sousa é poupado a participar em mais do que três iniciativas por dia. Normalmente, começa só à hora do almoço e termina antes do bater da meia noite.

O líder nega estar cansado, mas o desgaste de uma pré-campanha que o faz andar, há mais de mês e meio, na estrada, a falta de férias e, claro, os 68 anos de atividade intensa, fazem mossa.

Esta manhã, a ausência do líder comunista em qualquer atividade de campanha foi notada. O PCP desvaloriza. Diz que Jerónimo recolheu à Soeiro Pereira Gomes, à sede do partido, para um encontro de “análise coletiva” da campanha e da situação política. E ainda para gravar um tempo de antena de apelo ao voto.

Ninguém assume que o líder baixou de ritmo. E, na verdade, a agenda foi revista à última hora e Jerónimo acabou por, no final da manhã, vir dar a cara e a voz da coligação para comentar a derrapagem do défice por causa do novo banco. A honra do convento não pode ficar em causa.