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Legislativas 2015

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CGTP. Défice confirma serem falsos os pressupostos do Governo para os cortes

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JOSÉ COELHO / Lusa

Arménio Carlos diz que houve uma opção política do Governo para favorecer os grupos económicos e financeiros, “como é o caso que agora leva a derrapagem do défice para percentagens idênticas às de há quatro anos”. Líder da CGTP responsabiliza também o Presidente da República e o governador do Banco de Portugal por “enganarem as pessoas”

O líder da CGTP diz que a derrapagem no défice por causa do Novo Banco confirma que o Governo usou a redução da dívida e do défice como falso pretexto para sucessivos cortes.

Segundo os dados divulgados esta manhã pelo Instituto nacional de Estatística (INE), a capitalização do Novo Banco fez o défice orçamental de 2014 subir para 7,2% do PIB, um valor que fica acima dos 4,5% reportados anteriormente.

Instado pela Lusa a comentar, Arménio Carlos considerou que os dados agora divulgados “confirmam a falsidade dos pressupostos que estavam na origem de uma política antissocial e laboral que foi desenvolvida com sucessivos cortes nos salários e nas pensões, aplicada a pretexto da redução do défice e da dívida”.

Arménio Carlos falava em Aveiro, onde participa num plenário da União de Sindicatos de Aveiro, afeta à CGTP.

Para o dirigente, além do défice a dívida pública “continua elevadíssima”, pelo que o caminho terá de passar por “romper com o tratado orçamental, reestruturar a dívida e, acima de tudo, correr rapidamente com o atual Governo, sob pena de daqui a alguns meses estarmos a discutir a mesma situação”.

“Depois de todos os sacrifícios a que os trabalhadores, os reformados e os jovens foram sujeitos, o que hoje temos é um défice a subir, em resultado de opções políticas do Governo, que disponibilizou o dinheiro para o Novo Banco, o mesmo dinheiro que dizia não ter para apoiar os desempregados, que neste momento não têm qualquer tipo de proteção social”, aponta.

O líder da CGTP afirma que houve uma opção política do Governo para favorecer os grupos económicos e financeiros, “como é o caso que agora leva a derrapagem do défice para percentagens idênticas às de há quatro anos”, mas responsabiliza também o Presidente da República e o governador do Banco de Portugal por “enganarem as pessoas”.

“O Governo, bem como o Presidente da República e o responsável do Banco de Portugal, incentivaram e enganaram as pessoas, há mais de um ano a esta parte, invocando que o problema era do grupo GES [Grupo Espírito Santo] e não era do BES [Banco Espírito Santo]. O que se veio a confirmar é que o lixo tóxico estava instalado dentro do grupo, incluindo o banco”, acusa.

Arménio Carlos considera que “procuram enganar a opinião pública para justificar aquilo que vieram depois a fazer, ou seja, canalizar cerca de 3,9 mil milhões de euros do erário público para salvar o BES, opção que, tudo o indica, será suportada pelo erário público, o que é inadmissível”.

“Consideramos que a partir daqui não se justifica que este Governo continue a defender a mesma tese, a de disponibilizar dinheiro aos bancos, ao mesmo tempo que evita responder a problemas muito concretos e sociais que temos, que são gravíssimos, como o desemprego, a emigração, a precariedade e sustentabilidade da segurança social”, conclui.