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Legislativas 2015

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CDU dramatiza: “Que não se perca nenhum voto”

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Marcos Borga

Jerónimo falou em Samora Correia para uma plateia de convertidos. Mesmo assim, o tempo não está para baixar os braços. Combater o voto útil no PS tornou-se a principal batalha eleitoral e a mensagem é simples: “Temos de subir a pulso, voto a voto, décima a décima”. O programa socialista é o bombo da festa. Desta vez, foi sobre o euro que se marcaram as linhas vermelhas

"O PS ainda acredita no Pai Natal", disse Jerónimo de Sousa. À hora marcada, o comício da CDU começou para uma plateia de militantes convictos. Muitos deles, já tinham participado nas ações de campanha que decorreram ao longo do dia de terça-feira. Vieram de camioneta do Couço, onde o líder almoçou com os reformados. Ou do Entroncamento, onde o líder comunista fez a sua primeira miniarruada da campanha.

Na sala, não havia indecisos nem abstencionistas. Só féis eleitores da CDU. Mesmo assim, quando a bipolarização se torna cada vez mais notória entre PS e coligação de direita, o risco de uma fuga de votos úteis à esquerda tornou-se um perigo. Jerónimo convocou todos para a tarefa de captar votos. A militância "é a nossa maior riqueza. Não temos os meios deles, mas temos esta vantagem".

"Eles" são a "política de direita", onde a CDU coloca tanto PSD, como CDS, como PS. Mas é aos socialistas que Jerónimo dedica a maior parte das suas críticas. Em Samora Correia foi a vez de atacar as diferentes perspetivas sobre a moeda única. Para a CDU, o euro "foi um desastre para Portugal", "um constrangimento", "uma desgraca para o País". A solução? "Libertar o país desse colete de forças através de uma cuidadosa preparação".

O PS ataca a posição comunista, mas Jerónimo foi buscar ao programa do adversário os argumentos para o contra-ataque. "Tem muito blá, blá, blá, mas tem dois chamados cenários em relação ao euro", explica o secretário-geral do PCP. O primeiro, mostra que "o PS ainda acredita no Pai Natal, numa Europa solidária e que o Tratado Orçamental pode ser contornado por uma leitura inteligente". Há risos na sala, e Jerónimo prossegue: "Mas há outro cenário que ainda diz mais do que o que nós dizemos". O PS "coloca a questão da saída do euro, não só em relação a Portugal mas também à zona euro, que pode implorar".

O ataque fica feito, Jerónimo pode concluir o raciocínio que marca a diferença entre a CDU e os "outros". "Nós somos gente séria, cumprimos o que prometemos e temos a consciência tranquila". Só falta, mesmo, terem mais votos.