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Legislativas 2015

Legislativas 2015

Era o meu momento

  • 333

Só em 2013 houve pelo menos 110 mil portugueses que deixaram o país e em 2014 estima-se que o número tenha sido o mesmo

Alberto Frias

João Viegas partiu para Espanha em 2011 e desde então está lá a trabalhar. Queria uma carreira no estrangeiro. “Fui porque à minha volta não via nada que me dissesse ‘fica, João, aqui há mais e melhor para ti!’.” E como o pai lhe dizia: filho de emigrante raramente fica no país onde nasce. Desde 2011 emigraram 395 mil portugueses, o que faz de Portugal um dos principais países de emigração do mundo. Este é o 20.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

Texto

Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Infografia

Jornalista infográfica

Naquele dia, João saiu de Lisboa ainda de madrugada, eram seis da manhã. Pegou no carro, carregou tudo o que queria levar e arrancou sozinho. Foi a 15 de agosto de 2011. O pai vivia na Bélgica, a mãe em Castelo Branco, a irmã mais velha também já tinha emigrado para Manchester e ele arranjou-se. “Nunca fui apologista de incomodar os meus pais com coisas que eu posso bem fazer sozinho.”

De Lisboa a Badajoz, de Badajoz a Mérida, de Mérida a Madrid e depois até Barcelona: a viagem durou 13 horas. “A meio do caminho as pernas tremiam-me de ansiedade. No dia seguinte ia estar a começar de novo. Folha limpa.”

João Viegas tinha 27 anos e aquele dia, em que partiu de Portugal para ir viver para Espanha, foi especial. “Muitos se arrependem de muitas coisas, mas eu posso dizer que esse dia é daqueles que voltaria a fazer em 100 vidas.” João faz 32 anos esta quarta-feira. E o que o moveu naquela altura e o fez mudar de país foi, sobretudo, ter descoberto que gostaria de ter uma carreira fora de Portugal.

“Sou licenciado em Geografia e, antes desta experiência, fui professor e ao mesmo tempo trabalhava num serviço de atenção ao cliente (call center).” Foi então que lhe deram oportunidade de evoluir. “Há sete anos, quando comecei a trabalhar na empresa em que hoje estou, enviaram-me para a Holanda, onde está a sede europeia, para ser o responsável de descentralização de um departamento que na altura ainda não existia na mesma empresa em Portugal. Com 25 anos percebi que o mercado laboral não tem barreiras, nem fronteiras de línguas ou de culturas.”

Três anos depois, a empresa propôs-lhe que fosse trabalhar para outro departamento, desta vez em Barcelona, Espanha. “Fui sem pensar duas vezes. Não tinha nada que me prendesse em Portugal e Espanha está aqui ao lado para os amigos e família. Fui essencialmente porque acreditava, e acredito, mais em mim. E fui porque, à minha volta, não via nada que me dissesse ‘fica, João, aqui há mais e melhor para ti’.” Nove meses depois de ter ido embora, a posição que ocupava foi extinta em Portugal.

E o que é mudou na sua vida desde que foi para Espanha? “Financeiramente melhorou, profissionalmente melhorou. Passei a aprender mais e melhor. Dava mais, recebia mais. Em 12 meses fui promovido e fui para Madrid. Mais 12 meses voltei a ser promovido e voltei para Barcelona, a sede ibérica.” João conta que as suas preocupações deixaram de ser essencialmente as contas: “Mas, atenção, que jamais deixei de fazer a minha contabilidade. Emigras mas não podes cair no erro de achar que é tudo à grande. Vieste para trabalhar, trabalhas.”

Para lá da situação económica, também mudou a forma como vive. “Viajo mais, observo mais, pondero, penso e julgo com mais variáveis. Ajo, atuo e faço com mais determinação, confiança e segurança, principalmente sobre mim mesmo. A minha vida passou a ser muito diferente. Os horizontes abrem-se e parecem mais próximos.” Já quando olha para o lado, entre amigos e conhecidos, tem visto aumentar o número dos que emigram. “Cada um com uma desculpa, uma história, uma insatisfação e uma oportunidade.”

Emigração estabiliza em 2014

As histórias de emigração multiplicaram-se em Portugal nos últimos anos, mas são distintas. Há varias motivações, razões e emoções por trás de cada partida. Portugal tem um dos saldos migratórios mais negativos da Europa e é um dos principais países de emigração do mundo, tendo em conta a sua população e o contexto europeu em que se insere, como é sublinhado pelo Observatório da Emigração (OEm).

Com base nas estatísticas de entrada de portugueses nos países de destino, o OEm estima que aproximadamente 110 mil pessoas tenham deixado o país em 2013 – e desde 2011 foram 395 mil. As estimativas mais recentes apontam para que o número de saídas em 2014 tenha sido sensivelmente o mesmo, refletindo uma estabilização, segundo Rui Pena Pires, diretor do OEm.

As mudanças mais recentes passam por um aumento da emigração para Espanha – que foi o principal destino dos portugueses até 2008, quando a crise financeira e o seu impacto no emprego obrigaram-nos a escolher outros destinos. “A outra novidade é França, que publicou dados pela primeira vez este ano.” Em causa estão as estatísticas das entradas por nacionalidade, que nunca o instituto de estatísticas francês tinha publicado. “O número de entradas de portugueses é maior do que estávamos à espera e são menos qualificados”, realça Rui Pena Pires.

Reino Unido, Suíça, França e Alemanha são os principais destinos. Também em países nórdicos, como a Noruega, se tem identificado um aumento de portugueses. Já fora da Europa, Angola e Moçambique são os dois principais destinos.

Já no que toca ao regresso de portugueses, Rui Pena Pires crê que não tenha sofrido alterações. “Deve estar mais ou menos na mesma, rondando os 10 mil por ano.” Ter números precisos sobre os retornos – ou sobre as reemigrações (passagem de um país para outro) – depende dos Censos, publicados de dez em dez anos. “Entre 2001 e 2011 sabe-se que houve 200 mil retornos, ou seja, quase 20 mil por ano”, aponta Pena Pires.

Regressar a Portugal com emprego

Edgar Ramos faz parte dos números de regresso a Portugal. O que o levou a sair do país não foi o desemprego, pois nunca esteve desempregado. Quando em outubro de 2013 partiu para a Bélgica, o que motivou foi a vontade de trabalhar no estrangeiro. “Não foi o país que me empurrou para fora. Eu queria uma experiência profissional fora.”

Trabalhava na área de desenvolvimento de software, tinha estudado Engenharia Informática e trabalhou na Força Áerea durante sete anos. Antes de escolher a Bélgica, ponderou: tinha ofertas para o Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. Escolheu Bruxelas.

Já era casado, mas foi sozinho. “Tenho espírito positivo. Tinha a certeza de que ia gostar e empenhei-me em gostar da experiência”, conta hoje, aos 31 anos. As grandes diferenças? A oferta cultural, a pontualidade e a cultura de trabalho. “Um dia pedi-lhes acesso para trabalhar a partir de casa porque sempre podia adiantar algumas coisas. Perguntaram-me: ‘Não te chega trabalhar aqui?’”

Depois, em dezembro de 2014, algo o fez voltar. “Eu e a minha mulher queremos ter um filho: essa foi a principal razão para voltar. E a verdade é que se ela quisesse ter ido para a Bélgica, eu tinha lá ficado. Preferia ter uma realidade belga vivendo em Portugal. Gostava mais do lado profissional e social da Bélgica, mas, para viver, criar um filho e ter uma família, Portugal é melhor.”

Com o regresso, voltou às 10 ou 11 horas de trabalho por dia – longe das sete horas e meia que trabalhava em Bruxelas. “Não descarto um regresso ao estrangeiro. Gostava de experimentar outro país. Gostaria de ir para os Estados Unidos ou para a Austrália, se fosse eu a escolher.”

“Filho de emigrante raramente fica no país onde nasce”

Também João Viegas, que continua a viver em Barcelona, pondera um regresso. “Admito que penso voltar a Portugal. Mas, provavelmente, já a tocar na idade da reforma, mais uns 35 ou 40 anos. O meu pai, moçambicano, já trabalhou em dois terços do mundo e sempre me disse que filho de emigrante raramente fica no país onde nasce. Tenho de lhe dar razão porque desde pequeno que queria viajar e ir viver para fora (sem saber porquê).”

E o que sentiria se tivesse de voltar hoje? “Sentir-me-ia frustrado. Quero ver mais frutos do meu trabalho e da minha vida.” Em Espanha, já se casou com uma portuguesa, “que emigrou por amor”. “Posso ser cidadão do mundo, mas isso é quando criamos mais do que o que contamos. Quando contamos mais do que o que criamos é porque está na hora de dar lugar a outros, e curtir a jornada de outra maneira”, diz.

“Os dois pensamos em ter filhos e vejo os meus filhos a crescerem num ambiente multicultural que espero que lhes permita pensar por si mesmos, que os faça ir à luta, que os faça ver de outra forma tudo aquilo que a sociedade vê como barreira e que, acima de tudo, possam ser livres para evoluir. Signifique isso o que significar para cada um.”

  • Nós, portugueses: retratos de um país que vai a eleições

    Durante o mês que antecedeu as legislativas, o Expresso publicou 30 retratos do que Portugal é hoje. Da natalidade ao envelhecimento, do desemprego jovem à criação de empresas, da pobreza ao desperdício alimentar, da agricultura às pescas, do cinema aos livros, do turismo ao ambiente, da emigração ao desporto, do talento à habitação. São 30 temas, 30 números e 30 histórias

  • A liberdade de ter tempo

    João nasceu com alma de viajante. Viajou sempre. Em 2008, largou tudo para sair à aventura pelo mundo. Participou em missões em Cuba, Moçambique e Guiné-Bissau. Hoje dedica-se a preparar expedições além-fronteiras com portugueses. No ano passado, 4,1 milhões de portugueses realizaram pelo menos uma viagem turística. Este é o 19.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Conhecer o crime: das estatísticas morais à construção social

    Há estatísticas de crimes em Portugal desde 1837, ainda que incialmente fossem pouco rigorosas. A partir do início do século XX começaram a ser mais sistemáticas e eram usadas para “ver como estava o país”. Os dados atuais mostram que a maioria dos crimes em Portugal é contra o património - e Lisboa, Porto e Setúbal registam metade da criminalidade total. Este é o 18.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O maravilhoso mundo dos computadores gigantes (e o traiçoeiro exercício de futurismo)

    Isto foi dito há umas décadas: “Não há nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa”. Eram dias de computadores monstruosos - o futurismo, sempre traiçoeiro, não tinha como antever estes dias em que o mundo inteiro anda nos nossos bolsos, dentro de um telefone, ou em cima das nossas secretárias, em computadores cada vez mais pequenos. Estima-se que sejam vendidos 571 mil portáteis e três milhões de smartphones em Portugal este ano - o maior número de sempre. Este é o 17.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vejo tudo negro

    José António viu arder os terrenos, as árvores e os animais em Sortelha, concelho de Sabugal, onde se deu o maior incêndio no país desde o início deste ano. Até ao final de agosto, os incêndios consumiram 53.951 hectares, mais do que no ano passado, mas menos do que a média anual na última década. Este é o 16.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Um país com menos livros e com menos jornais

    As vendas de livros e de jornais em banca continuam em queda e muitas livrarias fecharam (de 694 em 2004 para 562 contabilizadas em 2012). Será que o digital constitui realmente uma ameaça? Este é o 15.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É isto que eles pagam

    Um em cada cinco trabalhadores (20%) leva hoje para casa o ordenado mínimo: €505, menos do que o salário real de 1974 indexado à atualidade. Clarice e Maria são duas mulheres, de histórias e vidas bastante diferentes, que o recebem todos os meses. Mas enquanto Maria descobriu este ano o primeiro emprego e tem ainda poucas despesas, Clarice já recebe o mínimo há duas décadas, tem uma casa para sustentar e todos os seus dias são uma luta pela sobrevivência. Este é o 14º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O que sobra a um é o que falta a outro

    Estima-se que um milhão de toneladas de alimentos seja desperdiçado por ano em Portugal. Para fazer a ponte entre o que sobra a um e falta a outro, há associações como a Refood, que já distribui cerca de 35 mil refeições por mês. Este é o 13.º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • A dignidade de saber ler e escrever. E de compreender

    Aos 54 anos, Edna decidiu voltar a estudar. Começou a trabalhar aos nove e, por isso, as palavras que poderia ler e escrever ficaram pelo caminho – aprendeu-as na 1ª e 2ª classe mas acabou por esquecê-las, guardando na memória apenas o nome e algumas letras, soltas, desordenadas. Hoje, após dois anos de aulas, já não contribui para as estatísticas oficiais de analfabetos (eram 5,2% em 2011), mas tem pela frente a barreira da iliteracia - tal como muitos portugueses (eram 48% em 2005) que não conseguem compreender totalmente o que leem. Este é o 12º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Uma casa para o resto da vida

    Há mais pessoas a comprar casa e o sector da construção e do imobiliário tem sentido as melhorias. Filipa Vasconcelos e o marido tiveram um bebé no final do ano passado e decidiram, pela primeira vez, que fazia sentido comprar casa. “Claro que vamos ficar a pagar a prestação para o resto da vida, mas também pagaríamos uma renda.” Compraram um T4 com cinco assoalhadas por 75 mil euros. Este é o décimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Estou aqui com uma ideia: devíamos fazer uma academia para ensinar desempregados a programar”

    Por um lado há vagas para programadores que ficam por preencher, por outro há jovens qualificados sem emprego. A Academia de Código é uma empresa criada em 2013 para juntar as duas coisas e já estendeu as aulas de código às escolas primárias. Desde o início deste ano, a criação de empresas já está 8,4% acima de 2014. Este é o 11º artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Vencer o vício da prisão

    Até aos 44 anos, António passou o tempo a entrar e a sair da prisão. Mas algo foi diferente da última vez: quando chegou cá fora tinha algo a que se agarrar. Entre 2010 e 2014, o número de reclusos nas prisões aumentou 20,4% – e só no fim dos anos 1990 houve um número semelhante de presos. Este é o nono artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O problema mais sério ainda está para chegar

    O centro de saúde de Mogadouro já teve 18 mil utentes e 13 médicos, agora tem metade. A diretora do centro lembra que será um “problema grave” quando ali se reformarem os médicos mais velhos. Portugal tem uma das maiores disparidades da UE na distribuição de médicos no território: por 1000 habitantes, há 2,2 médicos em zonas rurais e 5,1 em zonas urbanas. Este é o oitavo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Treze mil dias de mar

    Carlos Alfaiate é pescador desde os 14 anos. Pescou na Mauritânia e em Marrocos, tem 36 anos e oito meses de mar no corpo, tirou chernes que valiam €1200. Passou décadas fora de Portugal e regressou em 2004, com arrependimentos e angústias. O sector de Carlos, que se fartou tantas vezes do mar, mudou nas últimas décadas e as 119.890 toneladas de peixe vendidas em 2014 são o valor mais baixo desde que há registos. Este é o sétimo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Minha querida agricultura

    António quis fugir da vida na terra que os pais e os irmãos levavam. Estudou engenharia, trabalhou como programador e aos 50 anos voltou à agricultura. Emociona-se no fim da conversa, ele que faz parte dos 6,5% de população agrícola familiar em Portugal, proporção que em 1989 era de 19,8%. Este é o sexto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • O “fator 30” traz mais bebés?

    Nos primeiros meses deste ano já nasceram mais bebés do que no mesmo período do ano anterior, embora ainda seja cedo para concluir que a natalidade vá aumentar em 2015, contrariando a tendência dos últimos anos. Até maio, nasceram 33.637 bebés em Portugal e Miguel Cruz é um deles. Este é o quarto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Não estou a fazer sapatos nem salsichas - há mais qualquer coisa nisto.” O cinema independente não está morto

    O cinema já foi dado como morto várias vezes. O número de espectadores diminuiu 30% numa década, as receitas de bilheteira caíram 12% e houve várias salas que fecharam. Mas há duas histórias paralelas a esta, a do Cinema Nimas e a do Cinema Ideal, em Lisboa, que reabriu em agosto do ano passado. Este é o quinto artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • É preciso aprender a envelhecer

    Virgínia tem 78 anos, caminha seis quilómetros por dia, viaja pelo mundo fora e ainda quer ir ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. “A velhice programa-se”, diz. Em 2030, Portugal poderá ser o país mais envelhecido do mundo. Este é o segundo artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • “Porque hei de ir embora mais cedo para depois estar sozinho?”

    Há cerca de 70 pessoas, na sua maioria sem-abrigo, que todos os dias comem no único sítio em Lisboa que lhes dá mesas, cadeiras, talheres e copos para que pelo menos à hora das refeições tenham um sítio onde comer que não seja a rua. Os pedidos de apoio têm aumentado e é preciso um espaço maior. Atualmente, 19,5% dos portugueses estão em risco de pobreza e é preciso recuar a 2003 para encontrar uma taxa maior. Este é o primeiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições

  • Os 44 anos de um carocha que custou 60 contos e 56 escudos

    Marcial comprou um carocha branco em 1971 que conseguiu manter até hoje. O mercado automóvel mudou nos anos 1980 e sofreu grandes perdas em 2012. Agora está a recuperar e em agosto deste ano as vendas aumentaram 24% em relação ao período homólogo. Este é o terceiro artigo da série “30 Retratos” que o Expresso vai publicar diariamente: são 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições