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Legislativas 2015

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Catarina Martins: “O discurso dos cofres cheios ofende as pessoas”

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Nuno Botelho

Entre medusas, peixes-palhaço e um polvo, a líder do Bloco de Esquerda usou em Peniche a técnica do arrastão para tratar Passos: “De lapso em lapso até à mentira final”

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

A porta-voz do BE e primeira da lista pelo Porto, Catarina Martins, não gostou de ouvir Pedro Passos Coelho dizer que Portugal tem o "cofre devidamente apetrechado" para pagar aos credores. "O discurso dos cofres cheios ofende as pessoas", afirmou a líder bloquista, no final de uma visita ao Cetemares, em Peniche, um centro de investigação sobre o mar do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Antes, interrogara-se: "De que estão os cofres cheios? Estarão cheios de dívidas? De cortes de sete meses nos pensionistas? Do corte do abono de família a meio milhão de crianças? Ou serão cofres cheios de baixos salários?".

A líder do BE comentava assim aos jornalistas a recente declaração do primeiro-ministro. "O dr. Pedro Passos Coelho tem dito o que lhe apetece. A correspondência com a realidade é que não é fácil de ver", afirmou. Para Catarina Martins, o chefe do Governo e novamente candidato a primeiro ministro vai "de lapso em lapso até à mentira final".

Nuno Botelho

Faina bloquista

A faina de campanha do Bloco de Esquerda dirigiu-se esta terça-feira para os assuntos do mar e, simultaneamente, para os investigadores portugueses. Em Peniche, bem junto ao porto de pesca, está o Cetemares, cuja estrutura científica foi inaugurada em julho pelo Presidente da República, Cavaco Silva. É um ambicioso centro de investigação, formação e divulgação do conhecimento marítimo.

Na unidade de investigação em biologia e ciências marinhas, Catarina Martins, acompanhada pelo cabeça de lista do Bloco em Leiria, Heitor de Sousa, ouviu explicações sobre o trabalho em desenvolvimento.

Desde as medusas para fins ornamentais (em que tudo começou pela resposta às necessidades de uma empresa de aquários de Lisboa) até aos peixes-palhaço (mais conhecidos por serem a fonte de inspiração do Nemo), terminando na interação à distância com um polvo (este não atacou Catarina Martins, mas ela tão pouco se atreveu a tocar-lhe), de pequenas aulas práticas dadas pelos investigadores do Cetemares foi feita a tarde da líder do Bloco de Esquerda.

Projetos que o centro desenvolve em ambiente empresarial, como o salientaram diversos especialistas e também o anfitrião da visita do Bloco de Esquerda, Sérgio Leandro, subdiretor da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, estabelecimento do IPL.

Nuno Botelho

Potencial de exportação

No rescaldo da visita, Catarina Martins, disse que "não há desenvolvimento económico sem ligação à investigação", exigindo por isso um "investimento público na ciência". Mas ao mesmo tempo, salientou a necessidade de "mudar radicalmente as condições de trabalho de quem faz a investigação".

O avanço do país neste campo foi feito "com base na precariedade dos investigadores. São bolsas atrás de bolsas", recordou.

Momentos antes, os percursos de vida de André Horta e de Milene Vala (esta está a tentar fazer gelatina de extrato de pele de atum, buscando assim uma valorização de um subproduto), ilustram bem o que Catarina Martins disse. São bolseiros sem qualquer expectativa de contrato de trabalho. Outro dos investigadores que a comitiva do Bloco ouviu foi João Chambel. Foi ele quem desenvolveu o projeto das medusas ornamentais, centra agora a atenção nos peixes-palhaço e irá brevemente lançar-se na produção de cavalos marinhos.

Algumas são "espécies com alto valor comercial", afirmara antes o responsável da escola, Sérgio Leandro. Aos jornalistas, João Chambel, de 29 anos, com o doutoramento em curso, explicou que a medusa ornamental pode ser vendida no circuito comercial por entre 40 e 60 euros a unidade. E se um peixe-palhaço pode valer 25 euros (como é o caso de alguns com listinhas, os mais conhecidos, fixados pela imagem do Nemo), há exemplares cujo preço chega aos 250 euros. "O nosso objetivo é produzir para o mercado internacional", afirma.

Nuno Botelho

Água na boca

Foi aos jovens portugueses, e a outros já menos jovens, que fazem ciência que Catarina Martins dedicou o início da tarde desta terça-feira, numa jornada do Bloco que termina à noite com um jantar-comício em Leiria.

A candidata não leva apenas na bagagem mais informação sobre medusas, peixes-palhaço ou o polvo, entre outras espécies. O Cetemares desenvolve também outros produtos, em que o mar, na sua enorme riqueza inaproveitada, é denominador comum. É o caso do gelado artesanal de kefir com algas; do paté de lapa com frutos vermelhos; do azeite enriquecido com algas; ou do Nautilus, o gin de algas (entre outros).

"Ficou com vontade experimentar estes produtos?", perguntou uma jornalista a Catarina Martins, no final da visita.

"E quem não fica?", respondeu a líder do Bloco de Esquerda.

Depois de uma manhã sem sal no mercado da fruta das Caldas da Rainha, a campanha bloquista deixou em Peniche alguma água na boca.