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Legislativas 2015

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CDU joga em casa e atira-se à Segurança Social do PS

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Marcos Borga

Em Couço não há angústias eleitorais. Há mais de 40 anos que os comunistas vencem na pequena freguesia do distrito de Santarém "por mais de 80%" nas autárquicas, acima da metade dos votos nas legislativas. Jerónimo chegou para um almoço com reformados e joga em casa. E arrasou a proposta socialista para a Segurança Social

Aqui, todos se orgulham de serem um dos maiores bastiões do partido. "Só não somos mais porque foram morrendo", diz uma idosa à entrada da sala da Casa do Povo, mesmo em frente à sede do PCP. Jerónimo chega e assume que está em casa. Elogia a tradição heróica das gentes do Couço e, de improviso, sabe que é sobre pensões e reformas que tem de centrar o seu discurso. O PS volta a ser o adversário mais directo.

"Qualquer partido de esquerda que se preze devolvia o que foi roubado aos portugueses", arranca perante uma plateia acima dos 65 anos. Ora, "os socialistas dizem que as reformas vão ser congeladas nos próximos quatro anos" e ainda "inventaram aquela coisa da condição de recursos para enganar o povo".

O programa eleitoral do PS é descascado. A condição de recursos com que Passos engasgou Costa no debate nas rádios volta à cena para ser traduzido. "Se tiver uma casita, um quintal com um bocadinho de terreno, deixam de ter direito a essa prestação", explica Jerónimo. Há "ohhs" na sala, e insultos de "ladrões" e fascistas. A plateia ainda tem força para se indignar, o líder embala: "Sacam mil milhões a quem menos tem e menos pode".

A casa está ganha, "mas não chega". No PCP, a luta continua sem direito a reforma. "Vocês que lutaram tanto e tanto, não estão em tempo de parar. Têm essa obrigação". Os idosos gostam e aceitam o desafio de chamar mais votos.

Marcos Borga

"Não há que enganar"

Ortelinda Graça. Assim mesmo. "Até o nome é original", diz a presidente da junta de freguesia que há dois anos dirige os destinos do Couço, mas que é "autarca há mais de 30".

A freguesia traz ao peito as medalhas de combate político. Contra a II Guerra, contra o fascismo, contra os latifúndios, contra a guerra colonial. "Foi sempre assim", diz a presidente da junta, que faz questão de lembrar que é a única do país a ter recebido "a ordem da Liberdade". Jorge Sampaio era o presidente. A luta antifascista mereceu a distinção. A freguesia faz por honrar o passado.

Mas custa. Mais velhos, cansados, com as arteroses a tolherem-lhes os movimentos, os velhos combatentes baixam as armas. Mas não o empenho. O camarada é para saudar. Com abraços apertados e vigorosos apertos de mãos. A ida às urnas é um dever sagrado. "Não há que enganar, no distrito de Santarém, a CDU é a primeira do boletim de voto", lembra António Filipe, o único deputado eleito pelo círculo e que de novo se candidata. Nunca fiando. A militância é grande, mas as cataratas e a miopia podem ser inimigos à boca das urnas. Desta vez é mais fácil. São os primeiros.

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