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Legislativas 2015

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BE pisca o olho aos “lesados do PSD”

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Nuno Botelho

No comício de terça-feira à noite em Leiria, a eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, enriqueceu o léxico da campanha, ao apelar ao voto dos “milhares de lesados e indignados do PSD”

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

O mote da intervenção foi o problema dos refugiados na Europa, mas o que vai perdurar nos próximos dias no debate político é o novo léxico que Marisa Matias trouxe a esta campanha para as legislativas.

A eurodeputada do Bloco dirigiu-se aos “milhares e milhares de lesados e indignados do PSD”, “pessoas a quem em 2011” Pedro Passos Coelho e Paulo Portas “disseram que podiam confiar a sua esperança”.

Marisa Matias alertou que PSD e CDS estão agora a dizer que têm um “novo produto, uma nova obrigação a quatro anos, mas isso não é verdade”, salientou.
Ao intervir no jantar-comício em Leiria, com o qual o Bloco de Esquerda encerrou a jornada no distrito, a deputado ao Parlamento Europeu sinalizou o que deve ser a intervenção dos bloquistas até às eleições: “Temos de falar com os milhares e milhares de lesados e indignados do PSD”.

E o discurso para aquele público-alvo está já na ponta da língua: “Não desistam da democracia. Passos Coelho e Portas gostariam que ficassem em casa, mas no dia 4 de outubro podem recorrer ao Bloco de Esquerda”.

Passos em dia de “prestar contas”

Se o remoque final da intervenção de Marisa Matias foi para os “governantes que enganaram os lesados e indignados do PSD”, as primeiras palavras da eurodeputada do Bloco foram para criticar os governos europeus, entre os quais o português, pela incapacidade de resolver o problema dos refugiados, “a tragédia humanitária que vivemos atualmente”.

Sem o mencionar explicitamente, Marisa Matias comparou o comportamento das autoridades húngaras a práticas do nazismo. “O que se passa na Hungria faz lembrar o pior momento da História da Europa, e que levou à segunda guerra mundial”.

No diagnóstico da situação, a eurodeputada bloquista vê “falta de vontade política. Quando se tratou de humilhar e chantagear o único governo de esquerda na Europa [a Grécia], os líderes europeus reuniram-se três e quatro vezes por semana, não dormiam se necessário. Para tratar do problema dos refugiados, tiveram de esperar duas semanas. Quando há vontade destruir, destrói-se. Mas [no problema dos refugiados] não há vontade de construir”.

Se Marisa Matias exortou os eleitores do PSD (e do CDS) a ajustarem contas com os partidos aos quais deram os votos há quatro anos, já Catarina Martins, a porta-voz do Bloco, disse na sua intervenção final do comício que está por poucas horas o momento de Pedro Passos Coelho “prestar contas”. Com efeito, é para hoje, quarta-feira, dia 23, que está marcada a divulgação dos números do Eurostat sobre o défice português de 2014.

E no raciocínio dos dirigentes bloquistas, se o buraco do BES/Novo Banco contou para os resultados de outras instituições financeiras, também terá de ser levado na mesma medida nas contas do Estado no ano passado. “Depois de tudo o que foi feito, o défice de 2014 é igual ao de 2011”, disse Catarina Martins. “A menos que haja uma ajuda da Europa", os responsáveis do BE acreditam que os dados do Eurostat vão ser um fator de pressão sobre Passos Coelho. Daí que a porta-voz do Bloco tenha repetido incessantemente que hoje é dia de Passos “prestar contas”, pelos “quatro anos de empobrecimento do país”.