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Legislativas 2015

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Um violino no Parlamento

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Marcos Borga

O cabeça de lista da CDU por Coimbra é violinista, estudou na URSS e fala russo “todos os dias”. Não teme o efeito Marinho Pinto, que concorre pelo círculo eleitoral pela primeira vez. E ataca direto: “é um tangas”. Manuel Rocha, violinista da Brigada Victor Jara, ficou nas últimas legislativas a 4 mil votos de ser eleito. O partido acredita que pode vir a ser deputado

É, pela terceira vez, cabeça de lista da CDU a umas eleições. Nas últimas legislativas, chegou quase a ser eleito. Mas o quase ainda são alguns milhares de votos de distância, que não estão garantidos à partida.

Fundador da Brigada Victor Jara, violinista e diretor do Conservatório de Coimbra, Manuel Rocha conhece bem o terreno da zona e as lides das campanhas. Antes de subir ao palco para discursar no comício realizado nas escadas monumentais, tocou com a sua brigada. E foi para junto do público, tocar ao ouvido de Jerónimo de Sousa, com o seu violino Hornsteiner, de 1803. “Foi um risco” assume. Um violino é um objeto frágil, pouco habituado a comícios. Mas sobreviveu.

A CDU está “confiante” de que esta pode ser a vez de repor o deputado perdido nos idos de 1991. Mas, desta vez, a entrada em cena de vários novos adversários pode baralhar as contas dos candidatos à esquerda do PS. Ao todo são 15 os candidatos por Coimbra. A dispersão de votos e a abstenção são dois grandes inimigos políticos.

Marcos Borga

O cabeça de lista tem experiência que sobra, mas nunca pelos lados de São Bento. Formado em Moscovo, chegou à União Soviética no ano em que Brejnev morreu. Viu a chegada ao poder de Gorbachev, a sua abertura à perestroika e saiu ainda antes da queda do muro de Berlim e da debacle do modelo soviético. Em Coimbra, entre os concertos da Brigada Victor Jara e dez anos na direção do Conservatório, ganhou tarimba. Se chegar ao Parlamento, “não será uma tarefa fácil”, como não foram muitas que já enfrentou na vida.

Marinho Pinto e o seu novo PDR podem ajudar a tirar, mais uma vez, as possibilidades de Manuel Rocha chegar ao Parlamento. O músico, desvaloriza. E passa ao contra-ataque. Ao Expresso, diz que o ex-bastonário da Ordem dos advogados é “um tangas”, que “não aguenta o contraditório”. Garante, que num dos debates organizado em Coimbra entre todos os cabeças de lista, “Marinho foi mandado calar pela assistência que já não o podia ouvir”. “É um vendedor de feira”, conclui.

  • A lavoura de Jerónimo também está contra o Governo

    O líder do PCP esteve numa vacaria na região de Coimbra, onde o prejuízo está a esmagar o negócio da venda de leite. Jerónimo aproveitou para “criticar PS, PSD e CDS”. Aqui a agricultura não é um sucesso. E serve para contracampanha