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Passos explica insinuação sobre “silêncios ensurdecedores” do PS

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Luís Barra

Afinal, a frase enigmática do líder do PSD não era sobre o PS e o BES, mas sobre as propostas que os socialistas não explicam para a segurança social. Claro? Nem por isso

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Comecemos pelo contexto, que neste caso é o mais importante. Na noite deste domingo, num discurso em Torres Vedras, Pedro Passos Coelho deixou uma frase enigmática que parecia insinuar cumplicidades do PS com interesses no caso BES.

Num dia em que mais uma vez a campanha do Portugal à Frente (PàF) tinha apanhado pela frente os protestos dos lesados do Banco Espírito Santo Passos engatilhou a cartilha sobre o combate do Executivo aos interesses e privilégios. Congratulou-se por o Governo não ter usado dinheiro público para "salvar bancos" no caso BES.

Este é o contexto, e é neste seguimento que surge a frase: "Temos de ter à frente do Estado e do Governo quem possa realmente lutar contra os privilégios, e só pode lutar contra os privilégios quem tenha provas dadas de que não está apenas ao serviço de alguns, mas sim ao serviço de todos. E aqui deixem-me dizer: nesta campanha eleitoral, há silêncios muito ensurdecedores, muito ensurdecedores."

Passos não explicou quais, nem por parte de quem, mas tudo indicava tratar-se de uma insinuação relativa ao caso BES, eventualmente comprometendo o PS com a defesa de privilégios de alguns. A dúvida manteve-se até esta segunda-feira, quando o líder da coligação PSD/CDS, em Beja, foi questionado pelos jornalistas.

Segundo explicou, os silêncios ensurdecedores são mesmo do PS mas - surpresa! - não têm a ver com o BES nem com a defesa de privilégios. Eis a resposta: "Já passou o quinto dia sobre o debate [nas rádios entre Passos Coelho e António Costa] e o líder do principal partido da oposição continua a não esclarecer a introdução da condição de recursos nas prestações solidárias". É esse o "silêncio ensurdecedor".

Então, e o contexto em que a frase foi dita?, perguntaram-lhe. A sua intervenção, explicou Passos perante a perplexidade dos jornalistas, era "a propósito da importância da independência do Estado - o Estado tem de ser independente dos grandes grupos económicos - mas também que temos de conferir às reformas importantes que temos de fazer para o futuro. O silêncio ensurdecedor que eu noto tem que ver com as duas coisas (...). Se não existir uma disponibilidade para fazer este tipo de reforma que interessa a todos, o PS não está a dar um contributo para que o país seja mais justo, para que possamos dar combate às desigualdades, que se combatem combatendo os privilégios, de um lado, mas colocando as oportunidades mais à mão de toda a gente. E isso faz-se também através das reformas - não só das que fizemos no sistema financeiro mas da que precisamos de fazer ao nível da Segurança Social."

Esclarecer? Nem por isso. O facto é que durante uma noite e uma manhã Passos Coelho deixou a pairar sobre António Costa o que foi entendido como uma insinuação relativa ao caso do BES. Afinal, todos perceberam mal.

Luís Barra