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Legislativas 2015

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Passos enfiou a boina, Portas tirou-lhe o chapéu. Com Amnésia ao almoço

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Luís Barra

O vinho Amnésia foi servido às gentes da coligação, mas Passos e Portas não se esquecem de nada do que o PS fez e diz. No fim, provaram que chapéus há muitos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Texto

Jornalista da secção Política

Luís Barra

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Fotos

Fotojornalista

Que a realidade é melhor que a ficção, já se sabe. Confirmou-se essa máxima no almoço desta segunda-feira da coligação, em Beja, onde o vinho que estava nas mesas se chamava Amnésia. Era uma piada que se fazia por si: os partidos do Governo, que são acusados de querer branquear a austeridade que impuseram nestes quatro anos, e o que prometeram nas eleições de 2011, serviam Amnésia à sua gente, a acompanhar a refeição e os discursos.

Paulo Portas, que percebeu o potencial humorístico que existia naquela piada involuntária da organização do almoço, decidiu pegar o touro de caras e puxar o nome do vinho para o seu discurso. "Este belo vinho aqui desta região chama-se Amnésia. Eu tenho a certeza que os alentejanos não terão amnésia no dia 4 de outubro", declarou, depois de uma intervenção que, mais uma vez, assentou sobretudo no ataque ao PS, tanto pelo que fez no Governo, como pelo que promete em campanha.

Luís Barra

Bastava o tema da amnésia (no vinho e nos discursos) para estar este texto feito. Mas no final do almoço, Passos e Portas receberam, cada um, uma prenda regional em cortiça. O primeiro-ministro apanhou um boné; ao vice-primeiro saiu um chapéu.

No caso de Portas, é notório que chapéus há muitos - é uma das suas imagens de marca, sobretudo em tempos de campanha; mas Passos a enfiar a boina é uma visão mais rara - talvez por isso, depois de experimentar a prenda, Portas tirou o chapéu, deixando que as atenções se concentrassem sobre o curioso look do primeiro-ministro.

Luís Barra

(E podíamos continuar a fazer trocadilhos com frases feitas sobre chapéus, boinas e barretes, mas ficamos por aqui - a foto é esclarecedora. Voltemos, então, aos trocadilhos sobre a amnésia)

O medo para ganhar votos

Provando que amnésia é mal de que não padece a coligação, tanto Portas como Passos Coelho fizeram boa parte do seu discurso sobre o passado - ou, como disse o líder do CDS, a "pesada herança" do PS. Tanto sobre o que o PS fez ao governar como o que António Costa disse em campanha, não há amnésia que resista à insistência da campanha da coligação em demolir tudo o que tenha a ver com os socialistas.

"Enfrentámos problemas verdadeiramente sérios", repetiu Passos, "de longe a maior crise do nosso Portugal democrático". Tem sido sempre assim desde a pré-campanha, e à memória do passado do PS como governo junta-se o presente de António Costa como candidato a chefe do Governo. "Demagogo" e "radical", tem acusado a direita.

"Sabemos que há muita gente que não resiste à demagogia, a utilizar a insegurança, o medo, junto dos mais idosos para ganhar votos", acusou Passos Coelho, voltando a questionar o PS sobre os seus planos para a Segurança Social - no fundo, fazendo aquilo de que acusa os socialistas: agitando com o medo para ganhar votos.

Luís Barra

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