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Legislativas 2015

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Marinho e Pinto falha primeira arruada do PDR no distrito de Lisboa

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“Não podia ficar em casa de braços cruzados”, explica o coronel Sousa e Castro, cabeça de lista do PDR por Lisboa

José Carlos Carvalho

O Partido Democratico Republicano (PDR) fez campanha nas ruas da Amadora, mas Marinho e Pinto optou por ficar em Coimbra

“Prefiro que me chamem capitão, embora goste que me paguem como coronel”. É neste tom, bem disposto, que Sousa e Castro se apresenta a um dos transeuntes que o reconhece de outros tempos. São cinco da tarde, o calor aperta e o Capitão de Abril, na reforma, prepara-se para juntar as “tropas” que sob o seu comando irão desfilar pelas ruas da Amadora, ao encontro da população, sobretudo dos comerciantes, o alvo principal da primeira ação de campanha oficial do PDR, no distrito de Lisboa.

Apesar de alguns dos militantes estarem à espera de encontrar o presidente do partido, Marinho e Pinto avisou que vai ficar por Coimbra, “noutras ações de campanha”.

Desfeito o equivoco, a comitiva, com cerca de duas dezenas de pessoas, deixa a estação de comboios da Amadora e aventura-se rua fora.

“Gosto dele, gosto deste homem. Ele é como eu, diz o que sente”, assume Maria da Conceição Gonçalves assim que olha para o panfleto que lhe colocam na mão e que tem o rosto do ex-bastonário da Ordem dos Advogados. A irmã, Rosa, não quer saber do panfleto mas fixa o coronel Sousa e Castro, enquanto pensa em alta voz “lembro-me dele da televisão”.

Sousa e Castro não resiste: “Sim, eu era aquele bonitinho e penteadinho” recorda, lembrando os tempos em que foi porta-voz do Conselho da Revolução.

“Hesitei muito mas acho que isto atingiu um ponto de degradação tão grande, que o país está muito estragado. Sobretudo por culpa desta última geração de políticos que delapidou o pais, vendendo ao Estado chinês as empresas mais importantes. Isto merece prisão. Não podia ficar em casa de braços cruzados”, explica o coronel.

José Carlos Carvalho

Sentada na esplanada do jardim junto a estação de comboios uma senhora nao tem dúvidas sobre quem é aquele que está no panfleto: “É o advogado do Sócrates. Já o vi na televisão, ele sabe a vida toda do Sócrates”.

Mais à frente, a carrinha do partido passa na estrada, tentando chamar a atenção. Com letras pintadas à mão e sem ninguém empoleirado na caixa aberta, Sousa e Castro sente-se na obrigação de explicar que têm “pouco dinheiro” e por isso “algumas coisas são muito artesanais”.

No centro comercial Babilónia, aproveita-se o contacto com alguns homens, que tentam matar o calor com uma cerveja, para continuar a propaganda. “O Marinho e Pinto é um defensor de vocês, da comunidade africana. A continuação deste governo não é nada bom para a comunidade africana”, garante o coronel. Um deles abana a cabeça e repete “tem que se acabar com a maioria”.

Satisfeito, Sousa e Castro volta a reunir as suas “tropas” e regressa à rua, entra nas lojas onde alguns dos donos ainda o reconhecem, dos 18 anos em que viveu no concelho. Entrega panfletos. Sempre que alguém o reconhece e/ou diz bem de Marinho e Pinto, rejubila. “Eu não preciso disto para nada.

Tenho 71 anos, a minha vida arrumada, familiar e materialmente. Mas sinto-me tão ou mais indignado como no dia 24 de abril de 1974”, conclui o cabeça de lista do PDR por Lisboa.