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Legislativas 2015

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Costa promete “unidade de missão” para a valorização do interior

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Rui Duarte Silva

Em campanha por Trás-os-Montes, o líder socialista a anuncia a medida, que ficará diretamente dependente do primeiro-ministro

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

"É desta que ficou especialista em agricultura? Ou prefere lavoura?" António Costa diz que não, mas que é sempre bom aprender mais. Foi o resultado da volta pela manhã pela freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de de Vila Flor, no distrito de Bragança. Trás-os-Montes profundo, portanto, numa jornada dedicada à agricultura e à interioridade.

Costa passou a manhã a visitar pomares e olivais, que beneficiam da inovação do sistema de regadio por telegestão montado na Associação de Regantes do Vale da Vilariça, que beneficia cerca de 800 agricultores, proprietários de cerca de 2500 hectares de terras, agrupados num denominado Empreendimento Hidroagrícola do respetivo vale. Muito longe da imagem típica da região da velhinha com o burro.

Recuperar 60 mil hectares de regadio

Rui Duarte Silva

Mensagem? Primeiro a particular: "Grande satisfação pelo trabalho desenvolvido para valorizar os recursos da região, em especial agricultura, com exemplos inovadores que melhoram a qualidade, a quantidade e sobretudo os rendimentos das gentes de Bragança".

E, depois, o recado geral: "é preciso aproveitar as verbas do desenvolvimento rural 2020 para recuperar mais de 60 mil hectares de regadio, que serão importantes aqui, no Alentejo e noutros sítios. É isso que vem no programa do PS", esclarece.

A vista em redor são montes e vales arborizados, parte até da propriedade de Belmiro de Azevedo. O sistema montado pelos engenheiros na associação permitem um rendimento de 40 toneladas de pêssegos, por exemplo, bem acima da média portuguesa, que anda pelas 20-25.

Costa joga em casa: desde 1993 que a freguesia vota sucessivamente PS em todas as eleiçoes, autárquicas, legislativas ou presidenciais. Um verdadeiro feudo no distrito de Bragança, onde cinco câmaras pertencem ao PS e sete ao PSD. Mas nas últimas eleições parlamentares, apenas um dos três deputados do distrito coube aos socialistas.

Na Associação, os dirigentes apelam à necessidade de mais uma barragem, a juntar às quatro que já existem e que canalizam as águas dos ribeiros para o regadio. É mais um pedido, a juntar àquele outro que lhe fez ao almoço, já em Bragança, o "grande amigo" e cabeça de lista pelo distrito, Jorge Gomes: o restabelecimento das linhas aéreas que ligam a cidade ao resto do país.

Uma unidade de missão para o interior

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Mas foi ao almoço que António Costa falou pela primeira vez de uma medida que, embora constante do programa, até agora tinha sido omissa: a criação de uma "unidade de missão para a valorização do interior", que integre e mobilize todos os ministérios e políticas do Estado, e que ficará dependente diretamente do primeiro-ministro.

"Eu assumo como uma das minhas funções centrais a valorização do interior como condição do desenvolvimento do país", disse António Costa, sob uma chuva de palmas.

"Com este empenho pessoal, quero assegurar que em cada um dos ministérios todos terão que ter como prioridade, em cada medida que adotem, a valorização do interior, a fixação das populações, a atração de novas populações e a criação de condições para que haja no interior um grande espaço de prosperidade que possa contribuir para o desenvolvimento do país", destacou.

Depois de atacar o encerramento de serviços essenciais em muitas localidades pelo atual Governo, António Costa garantiu que com um seu Executivo isso não acontecerá, com uma administração mais eficiente.

Voltando a retomar as ideias que têm marcado os seus últimos discursos - a defesa do serviço nacional de saúde, da segurança social e da escola pública, como uma "paixão do PS" (um lema de Guterres) -, aproveitou para saudar um grupo de jovens presente no almoço que vestiam camisetas com um ostensivo slogan "eu não quero emigrar".

Rui Duarte Silva