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Legislativas 2015

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A lavoura de Jerónimo também está contra o Governo

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Marcos Borga

O líder do PCP esteve numa vacaria na região de Coimbra, onde o prejuízo está a esmagar o negócio da venda de leite. Jerónimo aproveitou para “criticar PS, PSD e CDS”. Aqui a agricultura não é um sucesso. E serve para contracampanha

"Obrigada por nos receber", diz Jerónimo de Sousa. Pedro Pimenta responde com um forte aperto de mão à entrada em cena do líder comunista e começa a desfiar a ladainha de críticas que já tinha apresentado aos jornalistas que seguem a comitiva da CDU.

As contas são simples de fazer e todas elas são de diminuir. Há 15 anos, quando se lançou na produção leiteira, o litro de leite valia 35 cêntimos. Hoje vale 26. Mas os custos aumentaram e o proprietário perde "dinheiro todos os dias", mais concretamente "sete cêntimos por dia, 5 mil euros por mês, 70 mil euros no final do ano".

Jerónimo mostra-se solidário, acrescenta achas, faz perguntas. "Este tipo de atividade, senhor Jerónimo, não é uma estufa de alfaces. Eu não posso simplesmente parar e hibernar", afirma Pedro Pimenta. Jerónimo fica sem contra-ataque.

Não pode parar. As 80 vacas dão trabalho diário a Pedro Pimenta, à mulher e a um funcionário que formam a microempresa, situada a escassos quilómetros de Coimbra. E mais os três filhos do casal, que ajudam na lide. Mas em tempo de campanha não se arrisca. "Não é trabalho infantil. É educação", diz a mãe, não fosse alguém achar que havia ali exploração para lá da agrícola.

Jerónimo passa revista à quinta, mas a agricultura é só um pretexto para, mais uma vez, se atirar ao Governo: a este, ao anterior e aos que estiveram antes deles.

"Temos de criticar PS, PSD e CDS, porque foram responsáveis pelo fim das quotas de leite", diz o líder perante câmaras de televisão e microfones, com um cenário de prado e vacas como fundo. À espera do fim do discurso estava um grupo de velhos camaradas de Cioga do Campo que veio cumprimentar Jerónimo. Uma senhora de camisa às pintas resiste a aproximar-se. Jerónimo topa-a e vai abraçá-la. "Já estive consigo numa manifestação em Lisboa." "Muito bem, muito bem. Volte sempre." A luta tem de continuar.