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Legislativas 2015

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“O PS é uma espécie de genérico” e a CDU “é gente séria”

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Marcos Borga

Agora é a doer. O arranque da campanha eleitoral da CDU não poupa ninguém. A coligação de direita e o PS saíram com as orelhas a arder do primeiro comício de campanha. Jerónimo e Heloísa apostam tudo em mostrar que só a CDU fala a verdade e "tem gente séria"

Rosa Pedroso Lima

Rosa Pedroso Lima

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Jornalista

Marcos Borga

Marcos Borga

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De um lado estão os partidos do arco da governabilidade. Do outro, os comunistas e os Verdes. Uns "têm um longo historial de mentirem ao povo", os outros são "gente séria que honra a palavra dada". Uns só querem ganhar para "fazerem o que muito bem entendem", os outros prometem "a verdade".

A dramatização é grande. O líder do PCP e a dirigente dos Verdes concertaram discursos contra os maiores partidos e apostam forte num bom resultado eleitoral. A ideia pode ser maniqueísta, mas passa bem no eleitorado tradicional da CDU: os partidos que já estiveram no governo são maus, "traem o povo", enganam e mentem. A CDU, por seu lado, é boa, é composta de "gente séria" e tem provas dadas de que não vacila na sua orientação política.

Esta ideia de um partido de esquerda "confiável" marca uma das linhas mestras da estratégia eleitoral da CDU, que tem como lema "trabalho, honestidade e competência" e quer, assim, ganha força entre os desiludidos da política nacional.

Heloísa foi mais breve e mais direta ao assunto. No seu discurso deu aquele que seria o 'sound bite' do dia: "PSD e CDS traem o povo sem qualquer pudor" e "o PS é uma espécie de genérico da coligação, tem o mesmo princípio activo que não cura o país de nada".

Jerónimo, por seu lado, cumpriu o ritual dos comícios comunistas. Num longo discurso de 10 páginas, que leu perante um coliseu dos recreios quase cheio, atirou-se à ideia de uma campanha bipolarizada e aos "partidos que têm governado o país por turnos".

A CDU assume que está "contra as maiorias absolutas" e contra o objetivo político da estabilidade. Para o líder comunista, que sonha vir a ter uma voz na solução política do pôs-legislativas, a ideia de "governabilidade é uma chantagem" e o voto útil no PS um engano perigoso.

"A vida não começa nem acaba no dia 4 de outubro", disse Jerónimo. Mas que pode mudar muita coisa, lá isso pode. E a CDU tem um crescimento eleitoral bem à vista.