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Legislativas 2015

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Catarina Martins. “Planeta Terra chama Pedro Passos Coelho”

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Os portugueses têm alternativa e não estão condenados a escolher entre a direita e o PS, lembrou Catarina Martins no almoço de militantes na Madeira

Marta Caires

Jornalista

O país do primeiro-ministro e candidato da coligação não existe e é tanta a irrealidade do discurso que, segundo a líder do BE, é caso para dizer “Planeta Terra chama Pedro Passos Coelho”. Só assim se explica que fale das grandes melhorias no Serviço Nacional de Saúde, nos apoios sociais e na escola pública. Quando as turmas estão lotadas, os idosos perderam o complemento solidário e existem 700 mil pessoas sem emprego.

Se a coligação fala de uma vida que existe, Catarina Martins lembrou, no almoço deste domingo, que os “portugueses não estão condenados a escolher entre o que propõe a direita e o que propõe o Partido Socialista”. Este é um embuste que convém esclarecer até se, assim fosse, a escolha dos eleitores seria entre “quem criou as PPP e quem criou as PPP; entre quem privatizou e quem privatizou”.

O Bloco de Esquerda oferece uma alternativa e não vai discutir mais ou menos cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões. “Quem trabalha por inteiro merece um salário por inteiro; quem trabalhou uma vida inteira merece uma pensão por inteiro”. É esse o apelo de Catarina Martins: que ninguém aceite menos do que isso, pois os portugueses merecem viver em Portugal e merecem “viver com dignidade”.

Catarina Martins prometeu ainda defender os interesses dos cidadãos cortando “nas borlas fiscais dadas às grandes empresas”, as que “têm assaltado o País”. O BE será intransigente contra as negociatas e na luta contra a corrupção. Bandeiras que, segundo acredita, irão tocar os eleitores, pois são os problemas reais do país. Temendo o voto útil motivado pelas sondagens que possam sair até 4 de Outubro, a líder nacional do BE lembrou que a única sondagem que vale é a do voto no dia das eleições.

O almoço de militantes na praça do peixe no Mercado dos Lavradores, no Funchal, encheu e contou com as intervenções do líder local, Roberto Almada, e do candidato à Assembleia da República, Paulino Ascensão. Os discursos foram mais dirigidos à Madeira, onde se falou muito do PSD e da proximidade de Miguel Albuquerque a Pedro Passos Coelho. A questão mais importante, no entanto, foi o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, que termina a 31 de Dezembro.

“Eles mandaram para o caixote do lixo a autonomia regional”. A frase de Roberto Almada resume o pensamento do Bloco de Esquerda em relação ao Governo Regional, que continua a ser do PSD. O pior, alertou, é que a partir de 2016 a dívida levará 30% do orçamento regional e isso poderá colocar em causa a educação, a saúde e até os salários da administração pública. E por tudo isso o voto não pode ser para o PSD que fez a dívida na Madeira e, em Lisboa, obrigou a assinatura do resgate.