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Legislativas 2015

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“Olhe que não, dr. António Costa, olhe que não”

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Luis Barra

Passos “reconduz” Portas como vice-primeiro-ministro. E Portas parafraseia Álvaro Cunhal. Tudo com casa cheia em Santarém

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Texto

Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotografia

Fotojornalista

O distrito que há quatro anos era de Miguel Relvas e agora tem como cabeça de lista Teresa Leal Coelho deu uma casa cheia à coligação. O jantar-comício, no centro de exposições da cidade de Santarém, terá reunido 1500 pessoas (números da organização), que ouviram Passos Coelho reconduzir Paulo Portas no cargo de vice-primeiro-ministro na próxima legislatura, e Portas a parafrasear Álvaro Cunhal para responder a Antonio Costa. Vamos por partes.

Num dia que começou num campo de milho, o prato do dia foi malhar em António Costa. Por ter prometido que, caso perca as eleições, chumbará o Orçamento do Estado. Por estar a fazer uma campanha que, segundo Portas, se baseia em "demagogia e radicalismo".

Prova disso, diz Portas, foi uma frase de Costa "que demora trinta segundos a dizer em que faltou três vezes à verdade". E citou as "faltas à verdade", comentadas por uma frase de Cunhal, que marcou os primeiros debates da democracia. “Diz o dr. António Costa, ‘o país não cresceu' - olhe que não, dr. António Costa, olhe que não. O país está a crescer 1,5%. Diz ele: 'não há mais emprego' - olhe que não, dr. António Costa, olhe que não. 230 mil empregos criados desde o início de 2013. Diz ele: 'não há mais investimento- olhe que não, dr. António Costa, olhe que não. O investimento está a subir 4%."

Prova mais recente da dita "deriva para o radicalismo" foi o chumbo prometido a um próximo Orçamento da coligação. "Não é razoável uma pessoa dizer que vota contra um OE que não conhece. Não é razoável um candidato a primeiro-ministro não respeitar a vontade popular. Então no primeiro orçamento depois do voto do povo começa logo o bota-abaixo?"

Passos: mais quatro anos para o vice

A crítica ao chumbo anunciado por Costa a um orçamento que não existe não foi o único momento de política virtual neste fim de semana pelo lado da coligação. Mesmo antes de ganhar as eleições, Passos já faz planos para o futuro governo. Não só para si, mais quatro anos como primeiro-ministro, mas também para Portas - "Conto que possa também continuar como vice-primeiro-ministro nos próximos quatro anos", afirmou Passos do palanque.

A subida do rating da dívida da República também tem dado argumentos a Passos, que por duas vezes - ao almoço e ao jantar - citou esse dado lembrando que a Standard & Poors o fez na expetativa de que não haja guinadas na linha de governação do país. "Se a seguir às eleições mantivermos a nossa determinação, aí o nosso rating pode subir ainda mais, Portugal não será o lixo para o qual nos atiraram”.

Também a Grécia, com eleições este domingo, foi puxada para o discurso de Pedro Passos Coelho. Para contar que, nesta legislatura, já conheceu outros quatro primeiros-ministros gregos. "Este é o quinto, nas eleições de amanhã vão eleger o sexto. O país teve de pedir o terceiro resgate e são mais três anos de medidas duras que o povo grego vai ter de suportar". O contraste com a situação de Portugal, também sob resgate no início da legislatura, é suficientemente evidente.