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Legislativas 2015

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Lesados do BES e emigração. Bloco de Esquerda ao ataque em Paris

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FOTO LUÍS BARRA

Na onda da defesa dos lesados do BES. Pedro Filipe Soares, Catarina Martins e Mariana Mortágua em Paris, para reuniões com emigrantes e concentração em frente à delegação do Novo Banco

Sala cheia com uma centena de pessoas, neste sábado, numa animada reunião do Bloco de Esquerda (BE), em Gentilly, pequena localidade da região parisiense, na qual o principal convidado foi Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do partido.

Nem a principal organizadora da sessão eleitoral, Cristina Semblano, economista na delegação da Caixa Geral de Depósitos na capital francesa e cabeça de lista do BE pelo círculo da Europa, esperava tanta gente.

No fim, a militante do Bloco, que também é colunista em jornais franceses e portugueses, tinha razões para estar satisfeita. A reunião fora uma das mais calorosas e mais animadas de todas as que até agora foram organizadas na região parisiense pelos diversos partidos concorrentes às eleições legislativas portuguesas.

Na assistência, predominavam emigrantes lesados do BES, cujos problemas e reivindicações foram abundantemente discutidos. O BE, afiançou Pedro Filipe Soares, está decididamente ao lado dos lesados em todos os domínios, tanto políticos como judiciais.

O partido está a receber dividendos evidentes da revolta dos lesados do BES por os seus dirigentes terem participado em todas as suas manifestações e, sobretudo, depois das intervenções da deputada Mariana Mortágua na Comissão de Inquérito parlamentar sobre o assunto.

A adesão a este partido de esquerda da parte de muitos dos desesperados, ameaçados de perderem as poupanças de toda uma vida, é tal que, a certa altura, um dos presentes na sala pegou no microfone e disse, sobre Mariana Mortágua, que é uma verdadeira estrela para muitos emigrantes: “Fala bem e bate-se como uma senhora de direita, é uma flor que está a nascer no nosso país, o Bloco de Esquerda pode ser o futuro”.

O único problema do BE, que é importante, é que esta adesão impressionante de boa parte dos lesados ao partido pode traduzir-se em muito pouco nas eleições. O Expresso constatou que a maioria das pessoas que estiveram presentes este sábado na sala de um jardim-de-infância de Gentilly, onde Cristina Semblano é deputada municipal pela “Frente de Esquerda” francesa, não está recenseada e não pode por isso votar.

No entanto, para o BE, esta realidade não parece constituir problema: os lesados do BES foram “roubados” (ouviu-se repetidas vezes na sala) e devem por isso ser defendidos sem hesitações.

Por esse motivo, as ações do BE em sua defesa vão prosseguir, certamente com muito mais destaque, nesta segunda-feira, em Paris, onde se deslocarão as dirigentes do partido, Catarina Martins e Mariana Mortágua.

Ambas irão participar, na tarde desse dia, numa ação de rua do partido em frente à sede da delegação do Novo Banco na capital francesa. Desde o início desta crise dos lesados do BES, será a primeira vez que dirigentes nacionais de primeiro plano de um partido político português se manifestarão junto ao banco, instalado num dos bairros mais chiques de Paris.

Catarina e Mariana vão ainda reunir-se no mesmo dia com associações de emigrantes na capital francesa. Os problemas da antiga e da nova emigração portuguesa na Europa foram igualmente discutidos na reunião que decorreu neste sábado em Gentilly, na qual Cristina Semblano apresentou um Manifesto do partido para a emigração, no qual se destaca o reforço dos serviços consulares e dos apoios ao ensino da língua portuguesa aos filhos dos emigrantes.

“Empurraram as pessoas para a emigração, assistimos a uma vaga de emigração como nunca tínhamos visto desde os anos 1960/70”, frisou Pedro Filipe Soares. O BE considera que foram “expulsas” de Portugal milhares de pessoas e que é urgente inverter as políticas que conduziram a esta “sangria”.

Na segunda-feira, Catarina Martins e Mariana Mortágua vão também reunir-se com diplomados que saíram de Portugal nos últimos anos. Mas o ponto alto da sua visita a Paris será sem dúvida, mais uma vez, o problema dos emigrantes lesados do BES. O BE continua ao ataque nesta questão. Dirigindo-se a todos os presentes, neste sábado em Gentilly, Pedro Filipe Soares exclamou: “Estamos aqui para vos dizer: contem connosco”.