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Legislativas 2015

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De regresso à “lavoura”, para lembrar a “pesada herança” do PS

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Luis Barra

Passos e Portas começaram o dia a brindar ao sucesso eleitoral. Em manhã de agricultura, o PS foi o bombo da festa

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

Fotografia

Fotojornalista

Pouco passava das onze da manhã e Pedro Passos Coelho e Paulo Portas já erguiam os copos. Vinho branco, da Quinta da Alorna, feito com castas nacionais (Fernão Pires e Arinto) e exportado para vários países, com uma etiqueta dourada na garrafa, de um prémio ganho na Alemanha. Passos leva o copo à boca, mas Portas, que não deixa passar a oportunidade de tornar qualquer momento mais mediático, trava-o: “'Pera aí, Pedro, podemos brindar!” E brindam.

“A Portugal, à agricultura, ao vinho, à saúde de todos e, já agora, a um bom resultado”, disse Portas, envergando um dos seus chapéus de campanha. Antes da comitiva do Portugal à Frente (PàF) deixar a exploração agrícola da Quinta da Alorna onde começou o dia, em Almeirim, os dois líderes ainda recebem cada um uma garrafa de vinho tinto reserva.

O vinho para brindar na noite das eleicoes? “Espero ter brevemente uma ocasião suficientemente especial para abrir um vinho destes, responde Passos.

Otimismo moderado

O ambiente na comitiva, que este sábado anda pelo distrito de Santarém, é de otimismo, embora ninguém acredite nos sete pontos de vantagem sobre o PS anunciados ontem numa sondagem da Universidade Católica para a RTP. Mas também desconfiam da sondagem do Expresso que dá o PS ligeiramente à frente, embora com o PàF a eleger mais deputados. "A verdade deve estar entre uma e outra", diz um responsável da coligação, confiante de que o efeito do tropeção de Passos no primeiro debate com António Costa já terá sido superado.

Pelo sim pelo não, ao mesmo tempo que os líderes da coligação mostram o Portugal que corre bem - estiveram num campo de milho a ver trabalhar uma debulhadora, depois numa plantação de tomate e por fim nas caves da Casa Cadaval, todos com histórias de sucesso sobretudo no campeonato das exportações - vão também zurzindo no anterior governo socialista.

“Na agricultura há um antes e um depois”

Luis Barra

“Na agricultura há um antes e um depois de termos chegado ao Governo”, disse Passos. Um facto, frisou, e não um auto-elogio, "nem eu sou conhecido por andar a elogiar aquilo que o governo fez", atalhou o presidente do PSD. A primeira diferença que assinalou foi o "passado de conflitualidade e desperdício" do tempo de Jaime Silva, ex-ministro socialista - "o contraste com a ministra Assunção Cristas não podia ser maior".

Portas pegou na deixa do "grande contraste com o passado", desde as multas de Bruxelas por causa do parceláreis, que custaram milhões a Portugal, até a atual recuperação na execução do Proder, que aplicou todo o dinheiro atribuído ao nosso país.

"Eles", os socialistas, "achavam que a agricultura não era uma prioridade e achavam que era uma coisa do passado. "Nós", a coligação, "apenas substituímos a incompetência pela eficiência", distinguiu Portas. A "pesada herança" socialista vai dar pano para mangas.