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Legislativas 2015

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Coligação não perdoa a Costa promessa de chumbar o OE

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Luis Barra

Passos diz que PS trará “conflitualidade, confrontação e instabilidade no dia a seguir às eleições”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Visto do lado da coligação, António Costa voltou a cometer um erro, ao prometer na sexta-feira que o PS chumbará o próximo Orçamento de Estado, caso a direita ganhe as eleições. E os erros do adversário, já se sabe, não se perdoam.

É o que tem acontecido desde a noite de sexta-feira, quando Paulo Portas, no debate com Heloisa Apolónia, acusou Costa de "desespero" e "radicalismo" ao anunciar o voto contra "um Orçamento que não conhece". Se já tinha sido tema ao jantar, voltou a ser tema ao almoço, este sábado, em Ourém.

Tanto Pedro Passos Coelho como Paulo Portas puxaram o assunto para a ementa, entre a sopa e a carne com puré de batata. "O líder do principal partido da oposição", disse Passos, não está a dizer que vota contra o Orçamento ou o futuro Governo, mas "está a dizer que vai votar contra o país".

Segundo o primeiro-ministro, a atitude do PS promete "conflitualidade, confrontação e instabilidade no dia a seguir às eleições", quando o que o país mais precisa é que "no dia a seguir às eleições, aconteça o que acontecer, possamos sentar-nos à mesma mesa para podermos abordar as reformas que ainda são importantes, a começar pela reforma das reformas, que é a reforma da Segurança Social".

Repetindo o repto para um entendimento que já tinha feito no debate radiofónico com Costa, Passos Coelho reafirmou que, pela sua parte, haverá "a maturidade de nos podermos sentar na concertação social" para negociar a reforma que possa "salvaguardar as pensões".

Também Portas não deixou cair a promessa feita pelo secretário-geral do PS no dia anterior. E elencou as medidas que estarão nesse Orçamento que Costa promete rejeitar.

"Um OE que vai trazer a recuperação económica, a criação de emprego, condições favoráveis ao investimento, vai devolver IRS às famílias, começar a abater a sobretaxa, melhorar os salários da administração pública, continuar a descida do IRC, apoiar as famílias e a classe média. Não vejo nenhuma razão para, sendo assim, alguém dizer, sem mais, que vota contra."

Portas diz que PS defende pensões milionárias

No almoço em Santarém, onde, segundo a organização, estiveram cerca de 500 pessoas, Passos e Portas fizeram uma espécie de repartição de tarefas, como tem sido hábito ao longo da pré-campanha. O vice-PM a dedicar mais tempo a fazer tiro ao alvo ao PS, o chefe do Governo a dedicar mais discurso às boas notícias da governação.

Portas retomou a questão que marcou o debate das rádios entre Passos e Costa - o corte de mil milhões de euros em prestações sociais, que o PS tem no programa mas não explicou onde será feito -, para, usando declarações ao Expresso do economista Mário Centeno, denunciar um plano socialista para cortar nas pensões mínimas sociais e rurais. As tais que, nem sob pressão da troika, o Governo deixou de aumentar.

Por outro lado, ao recusar o plafonamento defendido pelo PàF, "querem continuar a pagar pensões milionárias", denunciou Portas. Conclusão: O programa do PS para a segurança social é "injusto, aventureiro e perigoso", proclamou o lider do CDS, acusando o maior partido da posição de "amadorismo e ter contas mal feitas".

Passos, por seu lado, não quis deixar passar "três boas notícias dos últimos dois dias": o forte crescimento das ofertas de emprego, o reconhecimento pela Forbes de Portugal como melhor economia para investir, e a subida do rating da República pela agência Standard & Poors.

Uma boa notícia que veio com um recado da agência de notação, lembrado pelo líder do PSD: "Se tudo continuar depois das eleições de acordo com este perfil [económico] melhoraremos no futuro o rating de Portugal. Infelizmente estas notícias não mereceram nenhum destaque nem regozijo dos que concorrem contra nós", lamentou Passos.